Faux queen Sirena Signus diz que mulher também pode ser drag: “o gênero é o menos importante”

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Você sabe o que é uma faux queen?! É o termo que identifica as mulheres que adotam o estilo típico das drag queens! No Rio, um dos nomes da nova geração é Sirena Signus, alterego da designer de moda Marcela Barroso. Ela faz parte do Drag-se, websérie em 10 capítulos sobre o dia a dia do coletivo de drags da qual faz parte, e que atualmente promove campanha de financiamento coletivo para que o projeto possa sair do papel! (Clique aqui para doar!)

Sirena/Marcela defende a liberdade de ser o que quiser e diz que, mesmo heterossexual, sempre se engajou na luta pelos direitos LGBT. Ela ainda diz que sua grande inspiração é Elke Maravilha. “Ela é fabulosa, brinca com essa dúvida que as pessoas têm sobre o seu gênero e aquele visual”, revela. Confira a entrevista exclusiva com Sirena Signus!

Porque você se interessou em virar drag queen?! Mulher também pode ser drag?!

Desde muito novinha eu sempre “me montei”, em casa mesmo, pra brincar, usava fronha pra fazer a peruca, lençol pra fazer vestido. Depois que comecei a sair a noite, não tinha essa ideia de “vou em montar hoje”, mas minhas festas preferidas eram aquelas mais temáticas, que eu podia pensar e executar um look específico. Acho que foi mais uma questão de evolução do pensamento de montar um visual e, claro, a combinação com os amigos que são drags. Para mim, ser drag é uma expressão da sua personalidade, das suas referências visuais, estéticas e até políticas. Qualquer um pode ser drag, o gênero é o menos importante nessa expressão.

Como você vê a atual renovação do movimento drag no Rio de Janeiro?!

Eu nunca acompanhei o movimento das drags como acompanho hoje, talvez porque elas não eram presentes nos locais que eu costumava frequentar. Acho que hoje existe um pensamento coletivo muito forte de se deixar expressar e se divertir sem preconceitos, sem tabus. Daí o ato de se montar surgir novamente com força. O legal é que eu particularmente noto uma quebra de padrões visuais nas próprias drags, elas são muito diferentes umas das outras!

Qual sua referência de faux queen?!

Acho que não tem como falar de faux queen sem a maior referência aqui no Brasil: Elke Maravilha. Ela é fabulosa, brinca com essa dúvida que as pessoas têm sobre o seu gênero e aquele visual? Já vi ela no Saara montadíssima, daquele tamanho. Não tem como passar incógnita.

Qual a diferença entre sua mulher do dia a dia para a sua mulher drag queen?!

No dia a dia sou mais básica. Com certeza, uso muita coisa as meninas acham que só serve pra noite ou pra uma fantasia. De dia, estou sempre maquiada, mas só delineador, rímel e batom. A noite tem todo o ritual de maquiagem. Penso no look como um todo, como vai representar minha persona drag. Crio até nome pro look final.

Você é heterossexual?! Como você vê a sua participação na luta pela diversidade sexual e a pela liberdade de ser como você é?!

Eu sou heterossexual, mas não gosto de criar rótulos. Meu envolvimento com a causa LGBT e com outras causas que priorizam a liberdade de ser o que você é se deu principalmente porque meus amigos mais próximos são gays/lésbicas. Já desde adolescente tive que lidar com preconceito, com a privação de vários direitos. Isso me motiva demais a lutar com eles por todos. Muitas vezes me sinto muito mais envolvida que muitos LGBT. Acho que se mais pessoas “fora do meio” se engajassem mais em causas que não lhe dizem respeito diretamente, como héteros apoiando a causa LGBT, as conquistas podem ser ainda maiores.

E o conceito de drag king, menos popular que o das drag queens, você como mulher já pensou em apostar nessa vertente artística?!

Acho demais, mesmo! Mas nunca pensei em ser drag king, sempre fui muito mulherzinha.

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Como é a aceitação das outras drags em relação ao fato de você ser mulher?!

As drags mesmo além de me apoiarem, me incentivarem a me montar também, ainda roubam minhas roupas! Eu sinto mais resistência de quem só conhece a drag queen, e não a faux queen. Já escutei “mas mulher não pode ser drag”. Mas não ligo. Ser drag é uma forma de transmitir uma mensagem bacana de diversão, de diversidade, de amor e de que você pode ser o que quiser. Até hoje não senti que fui levada “menos a sério” por ser mulher.

Fale um pouco sobre o projeto Drag-se!

O Drag-se é um projeto muito bacana da diretora e produtora Bia Medeiros, da Suma Filmes. É um mergulho no dia-a-dia de uma drag (nesse caso um episódio pra cada uma) desde a relação com a família, os amigos, o trabalho, até o momento de se montar. Como ela escolhe o look, a maquiagem, etc. Quase uma análise antropológica de uma drag queen. Acho que mostrando esse lado mais “humano”, além do personagem da drag, as pessoas entendam melhor o que nos leva a nos montar, a criar uma nova identidade, e aí os preconceitos e tabus somem.

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Thiago Araujo é editor-chefe do Pheeno! Formado em jornalismo pela UFRJ, o carioca de 27 anos comanda projetos em comunicação para diversos clientes em seu escritório no Rio, principalmente no ramo do entretenimento. Além disso, ainda é DJ de música pop, viajando o Brasil em eventos onde o agito é palavra de ordem!