Colin Farrell apoia irmão gay e faz campanha pelos direitos dos homossexuais na Irlanda

O ator Colin Farrell saiu em defesa à regulamentação do casamento gay na Irlanda, seu país de origem. No último domingo (16/11), o ator de 38 anos usou o jornal irlandês “Sunday World” para publicar uma carta aberta em apoio a comunidade LGBT. Defensor dos direitos gays, ele se mostrou indignado após seu irmão, Eamon Farrell, que é gay, teve que ir com o namorado Steven até o Canadá para poder se casar, já que a união ainda não é legalizada na Irlanda.

“Meu irmão Eamon não escolheu ser gay”, diz o ator, que ainda chegou a comentar sobre o bullying que o irmão sofria na época de escola. “Sim, ele escolheu usar lápis de olho para ir à escola e isso, provavelmente, não foi a reação mais pragmática para a tortura diária que ele viva nas mãos dos valentões da escola”, revelou.

A Irlanda está prestes a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Está marcado para a primavera de 2015, um plebiscito para discutir o tema, onde a população poderá opinar sobre a união gay. De acordo com uma pesquisa do jornal local “Irish Times”, cerca de 67% da população irlandesa são a favor da regulamentação do casamento gay no país.

Confira a carta…

“Eu acho que descobri que meu irmão não era heterossexual como a maioria dos garotos da nossa idade quando eu tinha por volta de 12 anos. Eu lembro que fiquei surpreso. Intrigado. Curioso. Não ‘bi-curioso’, antes que vocês comecem a especular.

Eu estava curioso porque era diferente de qualquer coisa que eu já conhecia ou tinha escutado sobre, e ainda assim não parecia ser anormal para mim. Eu não tinha nenhuma referência sobre a homossexualidade. Até aquela idade, eu não havia visto nenhum casal gay junto. Eu só sabia que o meu irmão gostava de homens e, repito, não parecia anormal para mim. Meu irmão Eamon não escolheu ser gay. Sim, ele escolheu usar lápis de olho para ir à escola e isso, provavelmente, não foi a reação mais pragmática para a tortura diária que ele viva nas nãos dos valentões da escola.

Mas ele sempre sentiu orgulho de quem ele era. Orgulhoso, desafiador e, claro, provocativo. Mesmo quando os outros o perseguiam com seus punhos e risadas de puro escárnio repugnante, ele manteve uma dignidade e integridade que rebatia a crueldade que o vitimava.

Eu não sei onde os valentões estão agora, os que batiam nele regularmente. Talvez alguns deles encontraram a paz e preferem esquecer sua participação em um passado doloroso. Talvez estejam em uma mesa de bar conversando sobre “veado” e porque um é a cura e o outro é a doença.

Mas eu sei onde meu irmão está. Ele está em seu lar em Dublin (capital da Irlanda), vivendo em paz e amor com seu marido Steve há anos. Eles são o casal mais saudável e feliz que eu conheço. No entanto, eles tiveram de viajar para um pouco mais longe do que o caminho ao altar para conseguir fazer seus votos, para o Canadá, onde seu casamento foi celebrado.

É por isso que esse assunto é pessoal para mim. O fato de que o meu irmão teve de deixar a Irlanda para que o seu sonho de se casar pudesse se tornar realidade é insano. INSANO.

Está na hora de ajustar a balança da justiça. De cadastrar-se e registrar-se para votar no ano que vem, para que a voz de cada indivíduo seja ouvida.

Com qual frequência nós temos a oportunidade de fazer história em nossas vidas? Não apenas na vida pessoal. Familiar. Social. Pública. Global. O mundo está assistindo. Nós daremos o exemplo. Vamos caminhar em direção à luz”.

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 22 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!