Exclusivo: conheça João Junior, um dos destaques na defesa dos direitos LGBTs

cbd0281a-055d-4e02-8764-76febe413506

Talvez você não conheça João Junior, mas ele já fez muito pela comunidade LGBT – e pretende fazer ainda mais! Candidato a vereador no Rio de Janeiro pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), Junior foi um dos responsáveis pela aprovação do casamento civil igualitário no Brasil. Além disso, o carioca de 31 anos foi o criador da campanha #NossaFamíliaExiste, criada para pedir a mudança no texto do “Estatuto da Família”. Em um bate papo exclusivo com o Pheeno, Junior contou porque resolveu se candidatar a vereador e como anda o cenário LGBT na política atual. Confira…

1. Você foi um dos responsáveis pela aprovação do casamento civil igualitário no Brasil. Conta pra gente como foi esse processo.

Coordenamos (eu e meu amigo Bruno) uma das mais bem sucedidas campanhas sociais do país. Minha proposta inicial era ser voluntário e abrir um diálogo entre a campanha e as empresas de casamento. Em pouco tempo fui alçado a condição de coordenador, tamanho foi meu empenho. Construímos uma campanha do zero, unimos grandes artistas e pessoas comuns. Um dia eu estava com um casal Gay de Campo Grande no outro estava dirigindo a gravação com o Wagner Moura. Mas, sem sombra de dúvidas a melhor coisa foi ter articulado a provocação que mandamos para o Conselho Nacional de Justiça e que, após isso, emitiu a resolução 175 que regulamenta e permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em todo o país.

2. Como foi trabalhar como assessor do Jean Wyllys, único parlamentar gay assumido do país?!

Foi uma experiência muito bonita e rica. Foi ótimo poder ter oferecido o meu melhor para algo tão significativo para milhões de brasileiros e brasileiras. Em muitos momentos foi desafiador e cansativo, mas pude aprender muito. Pude aperfeiçoar meu conhecimento legislativo. Tentei usar o espaço que conquistei como modo de melhorar a vida das outras pessoas. Sempre acreditei que as estruturas públicas devem estar a serviço da população. Fiz tudo que pude para magnificar o chamado que me foi dado. Acho que fui bem sucedido nessa função. Se como assessor já fizemos tanto, imagina como vereador!

3. O que te motivou a criar a campanha #NossaFamíliaExiste?

Desde 2013 casais gays já podem se casar no civil exatamente igual a qualquer outro casal. Casais homoafetivos já podem adotar ou ter filhos e filhas por métodos de reprodução assistida. Sou orgulhoso de ter participado dessa conquista. No entanto alguns parlamentares resolveram pregar uma peça no seu eleitorado conservador e vender a falsa ideia de que eles irão caçar os direitos civis já conquistados pela comunidade LGBT. Apelidaram o projeto nefasto de “Estatuto da Família” em uma tentativa de humilhar as famílias homoafetivas. E muita gente estava caindo nesse conto do vigário.

Foi quando eu tive a ideia de criar uma campanha que mostrasse que nosso afeto, nosso amor e nossas famílias existem. Me juntei a galera da Mídia Ninja e fizemos uma campanha linda, um vídeo de natal e diversas ações. Depois a coca-cola postou nossa hastag e até a novela das nove usou, o slogan que eu criei, em duas cenas com a Fernanda Montenegro. Na época eu era assessor e não podia aparecer muito. Mas hoje conquistei o direito de me orgulhar publicamente de mais essa conquista. #NossaFamiliaExiste virou um lema para milhares de pessoas.

4. Como você avalia as políticas públicas voltadas à comunidade LGBT do atual governo municipal?

Não fecho com a ideia de que eu tenha que fingir que nada foi feito e está tudo ruim. Queremos ajudar e não gongar por gongar. Não tenho feito isso e não farei. A Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS) tem tido um papel importante na consolidação de uma visibilidade midiática que, é sim, importantíssima na disputa do imaginário social sobre a homossexualidade ou transsexualidade. A CEDS tem conseguido importantes parcerias com a, ainda, maior emissora de TV do país, colocando sempre o tema LGBT em pauta e na maioria das vezes de forma positiva. Quando você pensa na audiência que a TV Globo tem na cidade e no modo como lidamos com os programas de TV, são inegáveis os avanços, apesar dos recuos pontuais. Algumas pessoas tentam esvaziar a importância desse trabalho. Não serei leviano em fazer isso.

Contudo, o combate a LGBT-fobia não é feito apenas pela TV. É preciso levar a prefeitura e seu posicionamento de valorização da diversidade sexual para além da Zona Sul e Centro. A cidade do Rio de Janeiro é dividida em quatro partes em relação à atenção geral do poder público: Barra da Tijuca; do Leblon ao fim do Rebouças; do Rebouças até Deodoro e de Deodoro até Santa Cruz e adjacências. As ações não chegaram até Deodoro ou Bento Ribeiro, quanto mais a Santa Cruz. Nasci na zona oeste, onde moram milhares de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Muitos deles e delas não foram convidados para essa festa da visibilidade. Para fazer uma denúncia precisam pegar um trem cheio lá de Cosmos ou Ricardo de Albuquerque, depois o metrô e por fim um ônibus para finalmente chegar ao Palácio da Cidade, em Botafogo, para poder dizer que sofreram homofobia.

Nisso eu sou muito crítico à atual gestão. Mas podemos melhorar isso juntos.

5. Você é um verdadeiro ativista e já fez bastante pela nossa causa, parabéns. Por que resolveu se candidatar a vereador?

Antes de tudo obrigado pelo elogio. Acredito que a política ainda é um caminho fundamental para vencermos as batalhas que travamos todos os dias. Sempre trabalhei buscando resultados práticos. Acredito que o discurso pelo discurso só serviu para atrasar décadas de avanços que já poderiam terem sido atingidos. Sempre tive esse impeto de buscar resultados e conquistas. Os problemas já sabemos que temos, agora é solucionar. Primeiramente tinha me oferecido para ser voluntário em uma outra campanha para vereador, mas o candidato era o erro. Fui convidado para ser o candidato e vi que ao invés de dar minhas ideias para alguém que não tinha compromisso real com nossas demandas era a hora de elegermos um de nós para a assembléia municipal da cidade do Rio de Janeiro! Viram em mim um homem sério e comprometido com que afirmo. Estou feliz pelo reconhecimento. Vou saber valer a confiança de todos e todas.

6. O mote da sua campanha será o empoderamento LGBT, certo? Quais projetos de lei você deseja defender durante seu mandato?

Como vereador eu serei capaz de debater e votar todos os assuntos concernentes a cidade: impostos, limpeza urbana, orçamento da cidade, educação municipal, saúde pública, urbanização dos bairros, assistência social, transporte e tudo o que for do interesse de nós cariocas. Tenho propostas de projetos de leis e de mecanismos de fiscalização do executivo para cada uma dessas áreas.

cd4d5f33-f878-47dd-8b8b-f3195bd3bbeb

Em relação especificamente a pauta LGBT:

(1) entendo ser urgente pressionar para que prefeitura amplie os canais de atendimento e recebimento de denúncias de homofobia por parte da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual;

(2) fiscalização rigorosa do cumprimento da resolução que obriga os agentes públicos de saúde municipal a reportarem casos de agressão homofóbica que cheguem aos hospitais municipais e clinicas da família;

(3) articularei e apoiarei a implantação da CEDS zona oeste;

(4) apoio à aprovação de medidas legislativas municipais de ações nas escolas no combate ao bullying homofóbico, com capacitações aos profissionais de ensino;

(5) elaboração de relatórios transparentes público periódicos que mostrem o que vem sendo feito de maneira concreta em relação a temática pela prefeitura do Rio de Janeiro;

(6) trabalho em conjunto com os organizadores das paradas do orgulho LGBT para que essas sejam de fato um momento de conscientização social da população sobre a diversidade, fazendo com que a festa também seja um momento de fortalecimento da cidadania;

(7) me empenharei pela ampliação urgente da atuação dos agentes municipais de saúde como instrumentos de prevenção DST/HIV, com foco na juventude gay, que vem sendo uma das grandes vítimas e epidemia;

(8) defenderei dotação orçamentária para Ampliação das campanhas municipais de mídia de combate as discriminações;

(9) defendo a ampliação do Projeto Damas, levando o mesmo e sua estrutura para a Zona Oeste;

(10) fiscalização da efetivação do Programa de Atenção Integral à Saúde da População de Transexuais e Travestis, com a produção de relatórios públicos periódicos e disponíveis e a toda população, entre outros.

Todas as nossas propostas para a cidade estão sendo apresentadas em comícios domésticos que qualquer cidadão pode nos solicitar. Basta pedir que vamos até a casa da pessoa e apresentamos tudo.

7. Qual a importância de termos mais LGBTs nos representando na política?

Fundamental para uma efetiva conquista de direitos, derrubada de estereótipos preconceituosos.Temos gays médicos, engenheiros, empreendedores etc, temos lésbicas neurocientistas, temos mulheres e homens transexuais empresários e temos travestis professoras. As olimpíadas deixam mais do que evidente que os LGBTs podem vencer qualquer coisa e conquistar seus sonhos. Essa comunidade está presente em todos os espaços, contribuindo para o crescimento do Rio de janeiro, e o que a cidade faz em seu benéfico? Temos vereadores que trabalham contra a população. É um absurdo ainda termos vereadores que apresentam projetos de leis contra o bem estar de outros seres humanos. Ainda existe um ranço preconceituoso no Rio de janeiro. A cidade que envia e recebe milhares de LGBTs do mundo todo precisa mudar isso no dia 02 de outubro. Quero ser essa mudança. Meu número é 40.000!

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 22 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!