Aluno da PUC Rio faz vaquinha virtual para produzir o 1º filme com elenco 100% drag

Vai ter drag na boate, no palco e no cinema TAMBÉM!

Aluno do curso de Cinema da PUC Rio criou uma vaquinha virtual, no formato “tudo ou nada”, pra produzir o 1º filme com elenco 100% drag.

Gabriel Galvão (23) é formando do curso de cinema da PUC Rio e está tentando produzir o primeiro filme totalmente protagonizado por drag queens.

“Dalila” surgiu de um projeto acadêmico e agora tenta se tornar realidade através de uma vaquinha virtual, no formato “tudo ou nada”, porém com uma série de benfeitorias para quem pode apoiar com valores específicos.

Após defender seu trabalho de ‘Projeto de Filme II’ (matéria onde nasceu “Dalila”) para a banca responsável por subsidiar financeiramente projetos de filmes do curso de cinema da PUC Rio, Gabriel teve a resposta unânime de que a instituição encontra-se em crise financeira desde o início do ano, portanto não seria possível utilizar recursos financeiros da mesma, como costumava ser até o 1º semestre de 2019.

Embora muitas pessoas pensem que todos os universitários da PUC têm uma situação financeira favorável, por ser uma das universidades privadas mais caras do país, a realidade é outra. A maior parte dos estudantes da instituição é bolsista, inclusive do Fies, dessa forma, vários cortes financeiros estão acontecendo na universidade, junto com as bolsas dos alunos.

Com muita garra e força de vontade, acreditando que “é necessário persistência para produzir e sustentar a arte”, assim como “a cumplicidade é uma forma de enfrentar adversidades”, Fábula, personagem drag do estudante, não se deixou abater com a resposta indesejada e está correndo contra o tempo para conseguir viabilizar financeiramente seu curta metragem.


Inspirado nos filmes Pink Flamingo, de John Waters, e no seriado Pose, de Ryan Murphy o projeto, que não tem nenhum tipo de orçamento pré-provisionado, já está com o elenco quase todo fechado e roteiro pronto, com a ajuda de artistas que acreditam na narrativa do filme: “cumplicidade como solução”.

Por enquanto o único apoio que “Dalila” tem é da Turma OK, lendária casa noturna no centro do Rio que enaltece a arte drag há 58 anos. Local que será a principal locação do curta metragem “90% das cenas estão programadas pra serem filmadas nas dependências da Turma OK nos dias 14/18/19/21 de novembro, já temos tudo pronto, estamos torcendo pra conseguirmos bater a meta de R$7.500,00 até o dia 04 de novembro, porque se não, não vai ter filme”, desabafa o diretor.

Gabriel afirma que esse é o 1º filme de ficção 100% drag no Brasil, “temos a referência de vários documentários sobre a cultura drag, mas nenhum filme realmente de ficção”. Além de idealizador, produtor e diretor, Fábula assina o roteiro do filme, juntamente com Olivia Gold, que também está elenco de “Dalila”.

A personagem principal é vivida por Shandra, além da ‘cavalona’, como é conhecida pelas amigas de arte, poderemos assistir em cena artistas como Conga Bombréia; Mirana; Neptün, Júpiter e Nêmeses, que formam a Haus of Trash; Rani Bong e Troya, provando que mulher cis também faz drag sim e as ‘madrinhas de concurso’ Palloma Maremoto e Samara Rios.

Tivemos a oportunidade de conversar com o diretor, que nos fez uma breve síntese do seu almejado curta: “o filme começa com uma proposta naturalista (interpretação não absurda da realidade), mostrando a vida como ela é os atores simulando a realidade da melhor maneira possível, mas vai se transformando aos poucos, conforme Dalila, dona de uma festa drag flopada, tenta arrumar soluções cada vez mais absurdas e engraçadas pra conseguir lotar seu rolê, pois caso não consiga, a dona da boate vai rescindir o contrato e a festa vai acabar”.

“Apesar de ter surgido na faculdade, meu principal objetivo é fazer um filme pra cena drag carioca. Não o vejo como um projeto de faculdade, o vejo como um projeto mesmo pra cena drag do Rio. Quero muito que seja um filme da galera do meio [drag] pra fora [do meio], que seja um mecanismo pra aproximar o publico com a dinâmica drag, com os artistas que existem na cidade”, comenta Fábula.

Algumas das vezes a ficção imita a realidade, porém, para que essa ficção surrealista, com uma pitada de comédia, possa se tornar realidade, a Produção oferece uma série de bonificações, que vão de nome nos créditos, passando por adesivos e pôsteres oficiais do filme, até flash tattoos e garrafas de espumante na festa de encerramento das filmagens. Os valores específicos das benfeitorias vão de R$20,00 a R$500,00, lembrando que qualquer valor doado é muito bem vindo.

A benfeitoria on-line começou no final do mês de setembro e ficará disponível até o dia 04 de novembro, quem tiver interesse em ajudar esse projeto a sair do papel e ir pras telonas, ou até mesmo conhecer mais sobre “Dalila”, basta clicar aqui.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos e o mais novo colaborador para conteúdos sobre diversidade LGBTQIA+ para o portal Pheeno.com.br