Após reação da comunidade trans, Peru recua sobre quarentena baseada por gênero

Um desrespeito à dignidade!

O governo peruano adotou quarentena seletiva baseada por gênero, o que fez com que a comunidade trans reagisse de maneira enfática.

No dia 02/04, o presidente peruando Martin Vizcarra usou o Twitter para anunciar a medida na qual homens só podiam sair de casa nas segundas, quartas e sextas, e mulheres nas terças, quintas e sábados. Aos domingos, ninguém seria autorizado a sair.

Assim que a notícia veio à tona, pessoas trans começaram a se manifestar contra a decisão e, desde quando o decreto começou a vigorar, os relatos de assédio passaram a aumentar.

“As forças armadas e a polícia nacional terão instruções claras para que isso não seja pretexto para nenhuma medida homofóbica”, prometeu Martin, que disse que a polícia foi instruída a respeitar as identidades de gênero de pessoas trans e não binárias.

Ainda assim, os defensores dos direitos LGBT+ continuam preocupados com atos discriminatórios por parte da força militar, visto o histórico de péssimos exemplos da polícia peruana.

Alexandra Arana, mulher trans, disse ao jornal El Comercio que foi parada pela polícia enquanto caminhava para o mercado com sua amiga no sábado 4 de abril, um dos dias destinados para as mulheres saíssem de casa.

Ela explicou que era uma mulher trans, porém, como seu documento tem o indicativo de gênero masculino, a polícia ordenou que ela voltasse pra casa.

As novas medidas tinham permaneceriam em vigor até 12 de abril, mas como crescente número de denúncias sobre transfobia e humilhação pública relatados em todo o país, as restrições foram derrubadas antes da data prevista.

Segundo a BBC, a medida foi revogada parcialmente por ser ineficaz em minimizar a quantidade de pessoas nas ruas ao mesmo tempo.

Mas, depois da decisão histórica da Corte Interamericana de Direitos Humanos que declarou o governo do peruano culpado no caso de uma mulher trans estuprada e torturada enquanto estava sob custódia da polícia, é inevitável que as autoridades queiram evitar mais polêmicas envolvendo discriminação de gênero.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos e redator colaborador de conteúdos sobre diversidade LGBTI+ do portal Pheeno.com.br! #MandaAssunto