Hacker que extorquiu padre Robson tinha um romance com ele e ameaçava expor outros casos, diz relatório

Segundo investigação da Justiça junto ao Ministério Público e a Polícia Civil de Goiás, um dos hackers acusados de extorquir padre Robson de Oliveira Pereira, de 46 anos, que comandava a Basílica do Divino Pai Eterno em Trindade, em Goiás, teria um romance com o sacerdote. O MP-GO aponta que o sacerdote fez desvios de doações de fiéis em valores que podem superar R$ 120 milhões.

Ao G1, a defesa do padre, afastado das atividades religiosas por conta da investigação, disse que “padre Robson foi vítima de extorsão, tendo buscado suporte da Polícia Civil, que monitorou as transações, e culminou na prisão dos extorsionários. Já houve sentença, e os criminosos foram punidos pelo Judiciário com severidade. Não havia qualquer conteúdo verídico como objeto das ameaças“. Tanto o hacker, identificado como Welton Ferreira Nunes Júnior e mais quatro pessoas envolvidas no esquema de chantagem foram condenadas, com penas que variam de 9 a 16 anos de prisão.

Um dos relacionamentos amorosos apontados pelo juiz Ricardo Prata na decisão seria com o próprio hacker que invadiu os celulares e e-mails do padre. “Observa-se que os acusados foram responsáveis por transmitir as ameaças à pessoa da vítima [Robson], por meio de mensagens em aplicativos e e-mails. Nessas, disseram os acusados que a vítima possuiria relacionamento amoroso com diversas pessoas, inclusive com o próprio Welton“, diz o magistrado no documento. De acordo com a publicação, documento traz um segundo romance usado no esquema da chantagem.

Em depoimentos ao Ministério Público, um policial civil que estava na investigação e uma pessoa próxima ao padre disseram que os hackers encontraram uma foto dele com uma mulher, também do círculo de amizade do pároco, e uma conversa relatando situações amorosas. “Ele [Robson] me mostrava [mensagens]. Um dos vídeos, vamos lá, um deles né, parece que era um vídeo gravando a tela de outro celular, onde tinha uma foto do padre com a [mulher] próximos um ao outro, e suposta troca de mensagens amorosas, né?“, relatou a pessoa ao MP, fato esse confirmado pelo próprio hacker. “Tinha foto dele com uma moça. Ela falando da data do primeiro encontro dele, essas coisas“, narra Welton.

Do montante de R$ 2,9 milhões, o MP afirma que a associação ficou no prejuízo em R$ 1,2 milhão. Segundo a defesa do religioso, o valor usado nos pagamentos foi recuperado e está depositado em conta judicial, aguardando liberação para retornar às contas da Afipe. Conforme o juiz, as ameaças intimidaram padre Robson a ponto de ele efetuar os pagamentos, que duraram 2 meses: “O padre se viu, por diversas ocasiões, incapaz de celebrar missas e continuar com o seu trabalho, por ter sido afetado pelos amedrontamentos para denegrir (sic) sua imagem pessoal e como sacerdote”, afirma.

Ainda de acordo com o G1, o pagamento milionário ao hacker levantou suspeitas por parte do Ministério Público, que começou a investigar os gastos da Associação Filhos do Pai Eterno. Os promotores apuram se R$ 120 milhões doados por fiéis à entidade foram usados por padre Robson para comprar uma casa na praia, fazendas e outros itens de luxo. O padre foi afastado da presidência da associação e suspenso de realizar missas. O religioso nega todas as acusações.

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!