Primeira travesti a finalizar processo de adoção no Brasil, Alexya Salvador adota duas meninas trans

Primeira pessoa trans a conseguir finalizar um processo de adoção no Brasil, a pastora e coordenadora pedagógica Alexya Salvador falou em entrevista a Mariana Gonzalez, do portal UOL Universa, sobre como foi adotar os três filhos, sendo que dois deles, são crianças transexuais e um menino com necessidade especiais.

Sempre tive o sonho de ter filhos. Vim de uma família muito grande e, desde muito jovem, dizia que queria ter pelo menos três. Mas não imaginava que eu seria mãe, muito menos que eu seria a mulher que eu sou hoje”, conta ela, que é casada com Roberto, há 12 anos. Segundo Alexya, quando o casal decidiu que era a hora da família crescer, passaram a pesquisar histórias de pessoas trans na adoção, mas infelizmente não encontrou nenhuma. O primeiro filho, Gabriel, que é um menino com necessidades especiais, chegou após o casal entrar no Cadastro Nacional de Adoção e enfrentar um longo processo. “Mas ainda faltavam duas crianças para minha família ficar completa“.

Foi, então, que ela recebeu um telefonema da juíza da Vara da Infância e Juventude de Jaboatão dos Guararapes (PE). “Ela tinha visto uma entrevista minha, na TV, dizendo que tinha o sonho de adotar uma criança trans, e me ligou porque tinha uma criança com características de ser uma menina trans na comarca dela. Perguntou: ‘Quer conhecê-la?’”, relatou. “Numa conversa por telefone, antes de eu conhecê-la pessoalmente, ela pediu: ‘Mainha, me traz roupa de menina?’. Ela não queria sair do abrigo vestida de menino”. “Perguntei para ela qual nome queria usar, e ela pediu que eu escolhesse, afinal, eu já era mãe dela. Eu sempre quis que minha primeira filha tivesse o nome da minha mãe, então escolhi Ana Maria“, explica.

Após a adoção da menina, ainda faltava um filho para que o sonho de Alexya fosse concretizado. Foi quando ela recebeu outro telefonema convidando a conhecer outra menina trans, de 7 anos, que estava à espera de adoção em Santos (SP).Era uma menina. Uma semana depois, o juiz nos deu a guarda dela. Hoje, ela passa no ambulatório de crianças trans do Hospital das Clínicas de São Paulo, junto com a Ana”, conta.

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