Padre leiloa cueca por R$ 3 mil durante festa religiosa e culpa “funcionária do capeta” após vídeo viralizar
Enquanto fiéis riam e aplaudiam, o padre Thiago Zanardi, da Paróquia São Francisco de Assis, em Alvorada (TO), subia numa cadeira, puxava o cós da própria cueca e via o leiloeiro aumentar os lances. A peça íntima acabou arrematada por R$ 3 mil durante o festejo do novenário de São Francisco — tudo transmitido em vídeo, que logo viralizou. O episódio, que poderia ser visto como constrangedor para uma instituição que costuma pregar “bons costumes”, reacendeu um debate sobre a hipocrisia moral de setores religiosos: quando o gesto parte de um padre, é “brincadeira”; quando vem de pessoas LGBTQIAPN+, é “escândalo”.
Na missa seguinte, o próprio Zanardi confirmou a venda e tratou o assunto como algo leve. Disse que a paróquia arrecadou mais de R$ 334 mil com o evento, incluindo os “R$ 3 mil polêmicos da cueca do padre”. Em tom de humor, ele contou que já havia perdido o chapéu, o cinto e a botina antes de alguém sugerir o leilão da roupa íntima. “Foi um momento de partilha e convivência”, afirmou. A reação nas redes, porém, expôs a incoerência entre o discurso conservador de parte do clero e as atitudes que ele próprio naturaliza quando envolvem figuras religiosas.
Irritado com a repercussão, o padre usou outra missa — transmitida pelo YouTube — para atacar a pessoa que divulgou o vídeo, chamando-a de “funcionária do capeta, com espírito de ronca e fuça”. Segundo ele, a gravação foi feita de forma maldosa e teria violado a confiança entre os paroquianos. “Parece que não temos mais liberdade sequer de viver e conviver com os fiéis em que achamos que podemos confiar”, lamentou, em tom de vitimização.
Mesmo após o escândalo, Zanardi recebeu o apoio do bispo da Diocese de Porto Nacional, que afirmou não ver “imoralidade alguma” no episódio. A cena, no entanto, revela o quanto o moralismo religioso costuma ser seletivo — e quem ele escolhe punir. Se fosse uma drag queen ou um artista LGBTQIAPN+ em um palco, a reação certamente não seria de aplausos, mas de condenação. Quando o gesto parte de um padre, o mesmo público que costuma erguer cartazes pela “defesa dos valores cristãos” prefere rir e bater palmas.

