Casal é atacado por mais de 20 barraqueiros em Porto de Galinhas e aponta homofobia: “Foi muito assustador”

Entre o azul do mar e o movimento intenso de turistas, Porto de Galinhas foi cenário de uma cena que destoou completamente da imagem de acolhimento vendida pelo destino. No último sábado (27), o casal Cleiton Zanatta e Jhonny Andrade, empresários do Mato Grosso e casados há seis anos, foi espancado em plena faixa de areia após um conflito com barraqueiros da região. Em entrevista ao GLOBO, nesta segunda-feira, os empresários, que são casados há seis anos, relatam ter escutado pessoas gritarem que ambos eram “viados e tinham mesmo que apanhar” enquanto recebiam socos e chutes de mais de 20 comerciantes.

Segundo Cleiton, a confusão começou logo após a chegada do casal à praia, quando um homem ofereceu o aluguel de duas cadeiras e um guarda-sol por R$ 50. “Ele foi muito insistente e disse que, se conseguisse um lugar mais perto do mar, fecharíamos por esse valor”, contou. No momento de pagar, porém, o preço teria sido alterado para R$ 80. Ao questionarem a mudança, a situação se agravou rapidamente.

De acordo com o relato, um dos barraqueiros arremessou uma cadeira contra Jhonny, que caiu na areia e passou a ser agredido por outros comerciantes que estavam próximos. “Foi muito assustador, eram mais de 20 pessoas vindo para cima de nós dois, com chutes e socos”, afirmou Cleiton. O casal também desconfia que a agressão tenha sido articulada, já que vários barraqueiros conseguiram se aproximar quase ao mesmo tempo. “Ainda não entendemos como tantas pessoas chegaram tão rápido”, completou.

Cleiton, que tem mobilidade reduzida, tentou buscar ajuda, mas relata que a falta de policiamento no local dificultou qualquer intervenção imediata. “Os bombeiros foram os únicos a tentar nos ajudar, mas eram apenas três contra mais de 20 comerciantes”, disse. Após o ataque, o casal registrou um boletim de ocorrência e acionou advogados do Mato Grosso, onde vivem. A Prefeitura de Ipojuca e o Governo de Pernambuco se manifestaram sobre o caso, informando que as investigações estão em andamento e que 14 envolvidos já foram identificados, embora as vítimas afirmem não ter recebido apoio direto das autoridades municipais até o momento.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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