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Justiça condena prefeito francês por usar vídeo explícito com garoto de programa para chantagear vice

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Um tribunal de Lyon condenou nesta segunda-feira (1º) o prefeito de Saint-Étienne, Gaël Perdriau, a quatro anos de prisão por arquitetar um esquema de chantagem sexual que marcou a política local por quase uma década. A decisão também determina cinco anos de inelegibilidade imediata, interrompendo a carreira do político francês. Segundo a sentença, Perdriau utilizou um vídeo íntimo para controlar seu então vice-prefeito, Gilles Artigues — gravação cuja produção ele nega ter ordenado.

O caso tem origem em 2015, quando Artigues, católico praticante e crítico ferrenho do casamento igualitário, foi filmado em um encontro com um suposto garoto de programa em um hotel. De acordo com a investigação, o material serviu como arma de pressão constante dentro da prefeitura, mantendo o vice-submisso às demandas do prefeito. Hoje com 60 anos, Artigues descreveu ter vivido um verdadeiro “pesadelo”, marcado por medo, humilhação e a sensação de estar encurralado.

Durante o julgamento, a promotoria afirmou que Perdriau havia encomendado o vídeo e ameaçava divulgá-lo caso Artigues ousasse confrontar sua gestão. A procuradora Audrey Quey destacou que o prefeito “estava com o dedo no botão nuclear”, deixando claro o grau de controle exercido sobre o colega. O esquema também envolvia o chefe de gabinete e um adjunto, que admitiram participação na armadilha e igualmente receberam penas de prisão. Para a corte, ficou comprovado que verbas públicas foram usadas para financiar a operação de chantagem.

Em depoimentos, o ex-vice-prefeito relatou que se sentia “paralisado” em reuniões e que agiu como um “fantoche” dentro da administração municipal, chegando a enfrentar pensamentos suicidas devido à pressão psicológica. Após o veredito, Perdriau reafirmou sua inocência e anunciou que vai recorrer. O caso ainda chama atenção para o sistema político francês: ao contrário do Brasil, prefeitos e adjuntos não concorrem em chapa, mas são escolhidos entre os membros do conselho municipal — o que, no caso de Saint-Étienne, colocou adversários políticos obrigatoriamente lado a lado em uma relação que acabou devastada por abuso de poder e homofobia velada.