Pastor André Valadão tem R$ 40,4 mil penhorados após processo envolvendo LGBTfobia
A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 40,4 mil das contas do pastor André Valadão, após ele não pagar os honorários devidos ao escritório Coletta e Rodrigues Sociedade de Advogados, responsável pela defesa da Editora Abril. A cobrança nasceu de um processo movido pelo próprio religioso contra a revista Veja, que publicou, em 2023, uma reportagem sobre supostas práticas de “cura gay” na Igreja Batista da Lagoinha, liderada por ele.
Na ação, Valadão tentou argumentar que o material seria mentiroso e distorcido, mas a Justiça entendeu que as falas atribuídas ao pastor permitiam sim interpretações de incitação à violência contra pessoas LGBTQIAPN+. O juiz Raphael Garcia Pinto concluiu que a revista não divulgou inverdades e rejeitou o pedido de indenização feito pelo pastor. Com isso, Valadão foi condenado a arcar com os honorários calculados sobre o valor que ele buscava no processo — decisão que depois foi confirmada em segunda instância e se tornou definitiva. Diante da falta de pagamento, o magistrado autorizou o bloqueio dos valores na conta bancária do líder religioso.
A situação se soma a outro caso envolvendo o pastor no mesmo ano da reportagem. Em 2023, a Justiça Federal determinou que Valadão removesse vídeos de suas redes sociais — Instagram e YouTube — considerados discriminatórios contra pessoas LGBTQIAPN+. A medida foi tomada após o Ministério Público Federal entender que as falas do religioso ultrapassavam a liberdade religiosa e de expressão. Caso descumpra a ordem, ele pode ser multado em R$ 1 mil por dia, e as plataformas têm prazo até o dia 15 para retirar o conteúdo do ar.
O vídeo citado na decisão acumulava cerca de 378 mil visualizações no YouTube e mais de 5,7 mil comentários, enquanto um post no Instagram somava aproximadamente 200 mil curtidas, demonstrando o alcance das declarações. O MPF ainda pediu a condenação de Valadão ao pagamento de R$ 5 milhões por danos morais coletivos e a uma retratação pública. O Google informou que o conteúdo não viola suas políticas, enquanto a Meta permaneceu em silêncio. As falas atribuídas ao pastor foram feitas durante um culto em Orlando, onde ele afirmou que “Deus odeia o orgulho”, direcionando o ataque ao Mês do Orgulho LGBTQIAPN+.

