RJ: Auê, tradicional point LGBTQ+ de Volta Redonda, encerra atividades após morte de Fábio Fernandes

A boate Auê anunciou oficialmente nesta quarta-feira (15) o encerramento definitivo de suas atividades, após mais de 40 anos de história em Volta Redonda, no Sul Fluminense. O anúncio foi feito por meio de um longo comunicado publicado nas redes sociais da casa, em meio ao luto pela morte de Fábio Fernandes Vieira, proprietário do espaço. “É com profundo pesar, o coração dilacerado e um turbilhão de emoções que comunicamos o encerramento definitivo das atividades do Auê”, diz o texto divulgado, acompanhado por fotos de Fábio e de registros ao lado do pai, João Donato Vieira.

No comunicado, o Auê faz questão de reforçar que sua existência sempre ultrapassou a ideia de uma simples casa noturna. “O Auê nunca foi apenas uma boate. Nunca foi apenas um espaço de entretenimento”, afirma a publicação, que define o local como “um refúgio, um lar, um território de liberdade que acolheu gerações inteiras”. Fundado por Fábio ao lado do pai, João Donato Vieira, o espaço nasceu, segundo a própria casa, de “um sonho familiar, simples na origem, gigante no significado”, erguido com “trabalho incansável, amor pela música e compromisso com a liberdade de ser”.

O texto também relembra a morte de João Donato, ocorrida há 25 anos, e destaca que sua presença seguiu viva na condução do Auê. “Mesmo em sua ausência física, seu espírito seguiu presente em cada decisão, em cada noite, em cada porta aberta”, diz o comunicado. Com a partida de Fábio, descrito como “a alma, o coração e a essência do Auê”, a casa afirma sentir que este ciclo se encerra: “Agora, com a partida de Fábio, o segundo e último pilar dessa história, sentimos que este ciclo, iniciado com tanto amor e coragem, se encerra”.

Ao anunciar o fechamento permanente, a boate presta uma homenagem direta ao legado deixado por pai e filho. “Fábio e Donato não construíram apenas um bar, uma boate. Eles ergueram um lugar onde gerações puderam ser quem realmente são”, diz o texto, que lembra que ali “amores nasceram”, “talentos foram descobertos” e “histórias foram escritas”. O comunicado se despede afirmando que, embora o Auê encerre suas atividades, “sua essência permanece viva em cada pessoa que passou por aquelas portas” e que “o Auê viverá para sempre na memória de todos nós”.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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