Brasil registra 257 mortes de pessoas LGBTQIAPN+ em 2025, uma a cada 34 horas

Um levantamento divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) aponta que, em 2025, uma pessoa LGBT+ foi morta a cada 34 horas no Brasil. Ao todo, foram mapeados 257 casos noticiados ao longo do último ano, envolvendo homicídios, latrocínios, suicídios e outras causas. O número representa uma queda de 12% em relação a 2024, quando 291 mortes foram contabilizadas, mas ainda recoloca o país no mesmo patamar registrado em 2023, também com 257 vítimas.

Segundo o levantamento, a maioria das vítimas era composta por gays (156 casos), seguidos por mulheres trans (46) e travestis (18). Também aparecem bissexuais (9), lésbicas (4), homens trans (3) e heterossexuais (3) — estes últimos assassinados por defenderem pessoas LGBT+, por terem sido confundidos com integrantes da comunidade ou por estarem acompanhados de alguém LGBT+. Em 16 casos, a identidade ou orientação não foi informada, evidenciando falhas recorrentes na coleta de dados e na cobertura dos crimes.

Os homicídios lideram o tipo de violência, correspondendo a 80% dos casos, seguidos por suicídios (8%) e latrocínios (7%). Em quase 60% das ocorrências, o meio utilizado para matar não foi informado. Quando há registro, armas de fogo aparecem em 15% das mortes, enquanto armas brancas, como facas, representam 14%. Para o GGB, a ausência de detalhes compromete análises mais precisas sobre o padrão da violência enfrentada pelos diferentes segmentos da comunidade LGBT+.

A maior parte das mortes ocorreu na região Nordeste (66 casos), seguida pelo Sudeste (48) e Centro-Oeste (33), além de 84 ocorrências sem região informada. Entre os estados, São Paulo (19), Bahia (17) e Minas Gerais (17) concentram os maiores números. Nas capitais, os casos se destacam em São Paulo (6), Salvador (5) e em Manaus, Goiânia e Belo Horizonte (4 cada). Fundador do grupo e doutor em antropologia, Luiz Mott afirma que o Brasil segue liderando o ranking mundial de mortes de pessoas LGBT+ e cobra do governo federal estudos oficiais e políticas públicas específicas, classificando o levantamento como “a ponta visível de um iceberg de ódio e sangue”.

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Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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