Chris Colfer revela ameaças de morte e trauma ao viver personagem gay em Glee

O ator Chris Colfer, conhecido mundialmente por interpretar Kurt Hummel na série Glee, abriu o coração ao falar sobre os impactos negativos da fama repentina que viveu ainda muito jovem. Em entrevista recente ao canal Syndicate X Library, no YouTube, o ex-astro teen contou que jamais imaginou que a popularidade faria parte de sua trajetória. “Nunca pensei que a fama seria parte da minha carreira… ficou muito assustador rapidamente”, disse, ao relembrar que seu verdadeiro interesse sempre foi “criar outras pessoas, criar personagens”.

Segundo Colfer, o contexto da época tornou tudo ainda mais difícil. Ao dar vida a um adolescente abertamente gay no fim dos anos 2000, o ator acabou se tornando alvo de ataques violentos. “Eu estava interpretando um adolescente abertamente gay em uma época em que as pessoas não gostavam de ver adolescentes abertamente gays na televisão”, afirmou. Ele explicou que aquela representação não era bem recebida por parte do público e que as consequências foram graves: “Isso não era bem-vindo. E as ameaças de morte e o risco de segurança começaram quase de imediato”.

A hostilidade constante teve reflexos diretos na saúde mental do ator, que desenvolveu agorafobia, um transtorno relacionado ao medo intenso de lugares públicos. Ao relembrar o período, Colfer destacou o quanto a violência contra pessoas LGBTQIA+ era naturalizada. “É difícil de explicar agora, porque o mundo mudou tanto para melhor que as pessoas não acreditam em mim… mas não estava tudo bem em ser gay no início dos anos 2000”, desabafou.

No relato mais duro da entrevista, o ator contou como se sentia completamente desamparado diante dos ataques. “Apresentadores de talk shows faziam piadas de mim, e tudo bem, porque eu era a criança gay. Políticos falavam coisas de mim publicamente, e tudo bem, porque eu era a criança gay. Pastores de grandes igrejas me chamavam de anticristo, e era aceito, porque eu era a criança gay. Não havia ninguém me defendendo, ninguém para me resgatar”, completou. Assumido publicamente desde dezembro de 2009, sete meses após a estreia de Glee, Colfer hoje revisita essa história como um alerta sobre o custo humano da falta de proteção e empatia em tempos em que a representatividade ainda era tratada como provocação.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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