Departamento de Guerra dos EUA pede que sex shop suspenda venda de plugs anais a soldados

As proprietárias de uma sex shop em Toronto viveram uma situação digna de roteiro ao abrir o correio, em julho do ano passado. Entre encomendas rotineiras, surgiu uma carta oficial do então Departamento de Defesa dos Estados Unidos — rebatizado por Donald Trump como Departamento de Guerra — exigindo que a loja interrompesse o envio de brinquedos sexuais para uma base militar americana no Bahrein. O documento, com selo do governo, surpreendeu as sócias da Bonjibon e rapidamente se tornou assunto dentro e fora da empresa.

Em entrevista ao site CP24, Grace Bennet, uma das donas do negócio, esclareceu que a loja não comercializa produtos diretamente para países do Oriente Médio. Segundo ela, o envio para bases militares americanas é comum, sobretudo dentro dos Estados Unidos, o que levanta a hipótese de que alguém lotado no Bahrein tenha feito o pedido por conta própria. O pacote em questão continha plugs anais e acabou sendo interceptado pelas autoridades locais antes de chegar ao destinatário.

A carta só veio à tona meses depois, quando um gerente do galpão encontrou uma caixa devolvida com o lacre de segurança violado — algo que, segundo a empresária, passou a acontecer com mais frequência após o “tarifaço” imposto por Trump no início do ano passado. Dentro da embalagem, estava o aviso oficial informando que, durante uma inspeção alfandegária, “conteúdo pornográfico” havia sido identificado e que o envio desse tipo de material não é permitido no Reino do Bahrein. Para celebrar o episódio inusitado, Grace decidiu emoldurar o documento e ainda promoveu uma enquete nas redes sociais para escolher a moldura: a de glitter venceu disparada.

Apesar de a homossexualidade não ser ilegal no Bahrein, ela é fortemente condenada socialmente, e pessoas LGBTQIAPN+ podem ser acusadas de “devassidão”, crime previsto no Código Penal do país. Para Grace, o episódio mistura choque cultural e humor involuntário. “Essa é a coisa mais engraçada que aconteceu desde que lancei meu negócio de brinquedos eróticos com minha melhor amiga”, afirmou a empresária. “Eu sei que é uma jornada longa e solitária, não podemos fazer essa jornada com vocês”, completou, em tom irônico, ao se referir aos soldados envolvidos na história.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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