Especialistas afirmam que os EUA estão nos “estágios iniciais” de um genocídio transfóbico

Especialistas em direitos humanos e estudos sobre violência em massa têm alertado para sinais preocupantes nos Estados Unidos em relação à população trans e não binária. De acordo com análises recentes, a combinação entre discursos políticos hostis, retrocessos jurídicos e políticas públicas excludentes cria um cenário que pode evoluir para algo ainda mais grave. Organizações internacionais apontam que a escalada desses ataques não ocorre de forma isolada, mas como parte de um ambiente que normaliza a desumanização de identidades dissidentes de gênero.

Entre as vozes que soam o alarme está o Instituto Lemkin, referência global na prevenção de genocídios. A instituição afirma que o volume e a intensidade das ofensivas políticas contra pessoas trans, não binárias e intersexo podem abrir caminho para uma “atrocidade em massa”. Para acadêmicos da área, o risco não está apenas na violência física direta, mas também em políticas que tornam a existência dessas pessoas socialmente inviável, negando direitos básicos, acesso à saúde e reconhecimento legal.

Ex-presidentes da Associação Internacional de Estudiosos de Genocídio têm reforçado essa preocupação. O pesquisador Henry Theriault avalia que a guinada política e jurídica à direita permitiu que lideranças expressassem de forma mais aberta um discurso de hostilidade extrema contra grupos específicos. Já o também especialista Gregory Stanton, fundador da Genocide Watch, argumenta que o conceito de genocídio deve ser entendido para além das categorias tradicionais do direito internacional, incluindo grupos sociais e de gênero que passam a ser alvo de tentativas sistemáticas de apagamento.

O avanço legislativo ajuda a dimensionar o problema. Somente em 2025, mais de 600 projetos de lei anti-LGBTQ+ foram apresentados em diferentes estados norte-americanos, a maioria focada em restringir a vida de pessoas trans, segundo a American Civil Liberties Union. Esse movimento se intensificou com medidas adotadas pelo governo de Donald Trump, como decretos que barram pessoas trans nas Forças Armadas, limitam cuidados de afirmação de gênero e silenciam discussões sobre diversidade nas escolas. Para especialistas, o conjunto dessas ações revela uma tentativa deliberada de transformar um grupo inteiro em inimigo político, alimentando o preconceito e criando as bases para violências ainda mais profundas.

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Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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