Fake news acusa Lula de transfobia ao envolver Erika Hilton em episódio que não aconteceu

Nos últimos dias, uma nova ofensiva da extrema direita tomou conta das redes sociais ao acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de transfobia. A narrativa se apoia em um recorte de vídeo do discurso feito por Lula durante a cerimônia que celebrou os 90 anos do salário mínimo, realizada na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. Segundo bolsonaristas e seus seguidores, o presidente teria se referido à deputada federal Erika Hilton usando o pronome masculino “ele”. A acusação, no entanto, não se sustenta e já foi desmentida como fake news.

O trecho em questão mostra Lula fazendo um alerta contundente sobre os riscos do uso da Inteligência Artificial para a produção e disseminação de imagens íntimas de mulheres sem consentimento, além do perigo envolvendo conteúdos ilegais. Em meio à fala, o presidente se dirige a uma “Erika” presente na plateia e, logo depois, comete um lapso ao utilizar o pronome “ele”. O detalhe omitido pelos disseminadores da desinformação é que Erika Hilton não estava no evento, tampouco era a pessoa a quem Lula se dirigia naquele momento.

A fala, na verdade, foi direcionada à deputada estadual Elika Takimoto, que estava presente na cerimônia e denunciou publicamente a distorção do episódio. Elika classificou a circulação do vídeo editado como parte de uma ação “coordenada e transfóbica” da extrema direita, que se aproveitou do contexto para atacar uma parlamentar trans e reforçar discursos de ódio já conhecidos no ambiente digital.

Diante da repercussão, a própria Erika Hilton se pronunciou para desmentir a fake news. A deputada afirmou que não estava no evento e criticou a obsessão da extrema direita em transformá-la em alvo constante de ataques. “Eu literalmente não estava nesse evento. Há dias, estou no interior de São Paulo”, escreveu. Para Erika, o episódio escancara a distorção deliberada dos fatos: “Eles viram Lula falar com alguma Erika e concluíram que só podia ser eu”. Ela também destacou que o foco do discurso presidencial foi ignorado: “Lula estava fazendo um alerta duro e importantíssimo contra a possibilidade de inteligências artificiais produzirem pornografia sem consentimento. Pros bolsonaristas, isso não parece ser um problema. Pra eles problema é gente trans existir”.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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