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HIV: Fiocruz vai testar injeção que previne o vírus em sete cidades para avaliar inclusão no SUS

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A Fundação Oswaldo Cruz deu um passo importante para o futuro da prevenção ao HIV no Brasil ao anunciar que vai testar, em sete cidades do país, uma injeção semestral capaz de evitar a infecção pelo vírus com eficácia próxima de 100%. A iniciativa busca avaliar a viabilidade de incorporar o método ao Sistema Único de Saúde, ampliando as estratégias de prevenção já disponíveis. O medicamento, chamado lenacapavir, teve seu uso aprovado recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mas ainda não está acessível à população.

Conhecido comercialmente como Sunlenca, o lenacapavir foi desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences e é indicado como profilaxia pré-exposição, a PrEP, para pessoas que não vivem com HIV. Diferente do modelo atualmente oferecido no SUS, baseado em comprimidos diários desde 2017, a nova tecnologia aposta em uma aplicação a cada seis meses. A mudança pode ser decisiva para ampliar a adesão, já que o uso diário ainda é apontado como um dos principais entraves para parte do público.

Os testes fazem parte do estudo ImPrEP LEN Brasil, lançado pela Fiocruz no Dia Mundial de Luta contra a Aids, com apoio do Ministério da Saúde, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas e financiamento internacional. Inicialmente, o medicamento será oferecido em serviços públicos de saúde do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São Paulo, Campinas, Salvador, Florianópolis e Manaus. A pesquisa vai priorizar populações mais vulnerabilizadas ao HIV, como gays, bissexuais, outros homens que fazem sexo com homens, além de pessoas trans e não-binárias designadas do sexo masculino ao nascer, com idades entre 16 e 30 anos.

Apesar do entusiasmo em torno da inovação, o custo do lenacapavir ainda é um desafio central. Nos Estados Unidos, o tratamento anual ultrapassa 28 mil dólares por pessoa, valor considerado inviável para sistemas públicos de saúde. Mesmo após a recomendação do medicamento pela Organização Mundial da Saúde como parte da prevenção combinada, o Brasil ficou fora dos acordos para produção de versões genéricas mais baratas, o que gerou críticas de pesquisadores internacionais. Ainda assim, o estudo conduzido pela Fiocruz é visto como estratégico para pressionar por soluções que tornem a inovação acessível e fortaleçam a resposta brasileira ao HIV.