Nos EUA, político defende pena de morte para pais e médicos que apoiam jovens trans

O republicano do Tennessee (EUA), Monty Fritts, de 62 anos, virou alvo de forte repúdio nesta semana após defender publicamente a execução de pais, responsáveis e profissionais de saúde que apoiem crianças e adolescentes trans. As declarações vieram à tona depois de sua participação como convidado em um podcast de viés nacionalista cristão, no qual o político, que é candidato ao governo do estado, fez afirmações extremas associando o cuidado com jovens trans a crimes passíveis de pena de morte.

O conteúdo ganhou repercussão nacional após a divulgação de um vídeo de cerca de 40 segundos pelo grupo antifascista Right-Wing Watch. “Acho que precisamos de uma lei no Tennessee que permita a pena de morte para aqueles que cometem um atentado contra a santidade da vida”, disse ele. “Acho que qualquer pessoa que tente desfigurar uma criança por meio de hormônios ou cirurgia pode ser passível de pena de morte. Eu sei que isso vai deixar as pessoas de ouvidos zumbindo, mas é um pecado gravíssimo, um pecado terrível”, completou. As falas foram classificadas como violentas e desumanizadoras por ativistas e entidades de direitos humanos.

Especialistas e organizações médicas reiteram que o chamado tratamento de afirmação de gênero para jovens trans, nos Estados Unidos, costuma envolver principalmente o uso de bloqueadores da puberdade. Esses medicamentos são amplamente estudados, considerados seguros por grandes instituições médicas e, em muitos casos, apontados como fundamentais para a saúde mental e até para a preservação da vida de crianças e adolescentes transgêneros.

O episódio ocorre em um contexto político já marcado por retrocessos. Em junho de 2025, a Suprema Corte dos EUA decidiu manter uma lei estadual que proíbe o acesso de jovens trans a cuidados de afirmação de gênero, uma decisão que foi descrita por integrantes da comunidade LGBTQIA+ como um “revés doloroso”. As declarações de Fritts, no entanto, elevaram o tom do debate a um patamar ainda mais alarmante, ao normalizar discursos que defendem punições letais contra famílias e profissionais de saúde.

Facebook Notice for EU! You need to login to view and post FB Comments!

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

Você vai curtir!