Novo estudo mostra que homossexualidade é parte essencial da vida social de primatas

Um novo estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista Nature Ecology and Evolution jogou mais luz sobre um tema que costuma ser ignorado ou tratado com preconceito até mesmo dentro da ciência: o comportamento homossexual entre primatas. Considerada a revisão mais abrangente já feita sobre o assunto, a pesquisa analisou dados de 491 grupos diferentes de primatas não humanos e identificou práticas sexuais entre indivíduos do mesmo sexo. Interações não sexuais, como afeto ou cuidado corporal, ficaram de fora da análise.

Os resultados mostram que esse tipo de comportamento foi observado em ao menos 59 espécies de primatas, sendo classificado como “comum” em 23 delas. Para os pesquisadores, os dados apontam para uma possível raiz evolutiva compartilhada, sugerindo que o comportamento homossexual antecede, inclusive, a própria evolução da humanidade. O estudo também levanta a hipótese de que essas práticas podem ser ainda mais frequentes do que os registros indicam, já que muitos cientistas deixaram de documentá-las ao longo dos anos por considerá-las raras, irrelevantes ou por dificuldades em obter financiamento para pesquisas sobre o tema.

Outro ponto relevante é o contexto social em que esses comportamentos aparecem com mais frequência. Segundo o levantamento, eles são mais comuns em grupos com hierarquias bem definidas e em ambientes marcados por estresse externo, como escassez de recursos ou condições ambientais adversas. Nessas situações, o comportamento homossexual parece cumprir um papel social importante, ajudando a aliviar tensões, reduzir conflitos e fortalecer vínculos dentro do grupo. Para Vincent Savolainen, diretor do centro de pesquisa Georgina Mace Centre for the Living Planet, do Imperial College London, a descoberta desmonta a ideia de que a homossexualidade seria algo raro ou desviante na natureza.

Embora o estudo não faça uma associação direta com o comportamento sexual humano contemporâneo, ele reconhece que é difícil ignorar possíveis paralelos. Pressões ecológicas e sociais semelhantes às enfrentadas por primatas não humanos também marcaram a trajetória das espécies humanas antigas. “As pessoas não se deram conta de que a homossexualidade, como comportamento, é tão importante para o funcionamento de uma sociedade quanto alimentar-se, lutar, ter filhos e cuidar da prole”, afirmou Savolainen à NBC News. No fim das contas, a ciência reforça o que a diversidade sempre soube: a homossexualidade não é exceção na natureza, é parte fundamental dela.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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