Um assassinato brutal registrado dentro da Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Júnior, em Muriaé, na Zona da Mata mineira, acendeu um alerta sobre a violência extrema no sistema prisional e a possibilidade de crime motivado por LGBTfobia. Um detento de 38 anos foi encontrado morto na tarde da última segunda-feira (12), com sinais de estrangulamento e com mãos e pés decepados, em uma cena descrita como de extrema crueldade.
De acordo com a Polícia Militar, o principal suspeito é outro interno, de 41 anos, que confessou o crime. Em depoimento, ele afirmou ter usado um lençol para enforcar a vítima e alegou que a motivação estaria relacionada à homofobia. Apesar da confissão, o delegado responsável pelo caso, Tayrone Espíndola, explicou que a linha de investigação ainda está em andamento e que outras hipóteses não estão descartadas.
Segundo o delegado, a violência empregada na ação também pode indicar conflitos entre facções criminosas rivais, prática comum dentro das unidades prisionais como forma de intimidação. “Por conta da agressividade da ação, o crime pode estar ligado a disputas internas entre grupos criminosos”, afirmou. A apuração busca esclarecer se o assassinato teve motivação exclusiva de ódio ou se há outros elementos envolvidos.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais informou que todas as medidas cabíveis foram adotadas e que o detento, identificado como Douglas Cristóvão Fernandes, foi encontrado sem vida após uma briga com outro custodiado. Douglas estava no sistema prisional desde 2008 e havia sido transferido para a unidade de Muriaé em março de 2025. Conforme consulta ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ele respondia a processos por homicídio e furto. A direção do presídio instaurou um procedimento administrativo interno para apurar as circunstâncias do caso.