Rio é o segundo estado com mais locais mapeados para sexo público no país, aponta plataforma

O mapeamento de uma plataforma voltada a adeptos do sexo liberal e do consumo de conteúdo adulto revelou que o Rio de Janeiro concentra ao menos 442 pontos indicados por usuários para a prática do dogging — encontros sexuais em espaços públicos e, muitas vezes, com desconhecidos. O número coloca o estado na segunda posição nacional, atrás apenas de São Paulo. Segundo o levantamento, trata-se de um circuito diverso, que reúne pessoas de diferentes gêneros, orientações sexuais e recortes sociais, desmontando a ideia de que a prática estaria restrita a um único grupo.

Na capital fluminense, a Zona Sul ganhou notoriedade após a circulação, no início de 2025, de vídeos que popularizaram o chamado “Surubão do Arpoador”. A repercussão levou a Prefeitura a impor restrições, como o fechamento da área durante a madrugada, numa tentativa de disciplinar o uso do espaço. Ainda assim, o levantamento aponta que a famosa praia está longe de ser exceção: diferentes cartões-postais e áreas menos óbvias continuam sendo citados como locais de encontros, inclusive por quem prefere o acaso às combinações via aplicativos.

O fenômeno, porém, não é novo. Registros históricos mostram que, ainda no século XIX, áreas centrais da cidade já eram usadas de forma velada para práticas sexuais ao ar livre. Em entrevista ao O Globo, o sociólogo João Otávio Galbieri, pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro, relembra estudos como o livro Além do Carnaval, do historiador James Green, que descreve a sociabilidade homoerótica no antigo Largo do Rossio, atual Praça Tiradentes, e as tentativas do poder público de controlar esses encontros.

Do ponto de vista legal, a prática pode ser enquadrada como ato obsceno, mas os números mostram oscilações: dados do Instituto de Segurança Pública indicam queda nas denúncias entre 2014 e 2019, seguida de nova alta após a pandemia, ainda abaixo dos picos anteriores. Casos de violência, como o assassinato ocorrido no Mirante do Pasmado em 2024, reacenderam o debate sobre segurança e resposta do Estado. Para Galbieri, as reações oficiais nem sempre são proporcionais e costumam ser atravessadas por pânicos morais, sobretudo quando envolvem corpos dissidentes, o que revela mais sobre normas sociais e seletividade do controle do que sobre a simples gestão dos espaços públicos.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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