RJ: curta “Benção Pai” leva ao cinema debate urgente sobre transfobia, abuso e hipocrisia religiosa

A atriz Mar Moraes é a protagonista do curta-metragem Benção Pai, obra produzida, dirigida e roteirizada pelo cineasta premiado Ed Lopes. O filme propõe um olhar direto e sem concessões para temas como transfobia, abuso sexual, assédio moral, violência psicológica contra a mulher, religião, incoerência moral e hipocrisia. A pré-estreia acontece no dia 21 de janeiro, em sessão aberta ao público, no Estação Net Botafogo.

Segundo Mar Moraes, o projeto representa um marco pessoal e profissional, sendo sua primeira protagonista e um dos maiores desafios artísticos de sua trajetória. A atriz destaca a complexidade emocional da personagem, atravessada por traumas de infância, transtornos psicológicos e sentimentos profundos de abandono, o que exigiu um processo intenso de entrega e construção sensível. Para ela, apesar de toda a dor retratada, a essência da personagem é simples e universal: o desejo de ser aceita.

A atriz também chama atenção para o impacto desproporcional da violência sobre mulheres trans negras, ressaltando como machismo, racismo e transfobia se cruzam de forma cruel na sociedade brasileira. Mar analisa: “Acredito que a transfobia atinge mais as mulheres trans, principalmente por estar diretamente ligada ao machismo estrutural. Mulheres trans negras sofrem tripla violência: por serem mulheres em uma sociedade misógina, racista e por serem trans em uma sociedade transfóbica. Essa combinação resulta em maior exposição à violência física, simbólica e institucional, além da exclusão social e da dificuldade de acesso a direitos básicos, como trabalho, saúde e segurança”.

Para Ed Lopes, Benção Pai surge como um instrumento necessário de provocação e denúncia. O diretor reforça que o silêncio em torno desses temas contribui para a perpetuação das violências retratadas na obra. “A sociedade muitas vezes não gosta de debater o tema, mas não falar sobre, é deixar que perpetue as barbaridades que vemos na mídia diariamente sobre esses abusos”, afirma o cineasta.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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