“Talvez o verão gay não seja para todos”: psicólogo questiona estética da felicidade nas redes
Com mais de 166 mil seguidores apenas no Instagram, o psicólogo e criador de conteúdo Lucas De Vito, conhecido nas redes como “Psicólogo dos gays”, usou seu alcance para provocar uma reflexão potente sobre o chamado “verão gay”. Em um post que repercutiu fortemente entre seus seguidores, ele questiona se essa época do ano, tão celebrada entre os gays, realmente contempla a todos.
Logo de início, Lucas aponta a sensação de deslocamento ao observar as redes: “Você abre o Instagram e que existe um mundo gay paralelo, onde todo mundo viaja junto, tem amigos iguais, corpos iguais, sunga baixa, volume marcad e festas que parecem provar alguma coisa”. Mesmo com conhecimento técnico e visibilidade, o psicólogo admite que esse cenário também o atravessa emocionalmente. “E, mesmo sabendo de tudo o que eu sei e tendo os acessos que tenho, às vezes eu também me sinto pequeno”, escreve. Para ele, o incômodo não vem por acreditar que aquela realidade seja verdadeira, mas porque ela “virou o símbolo de sucesso emocional e social dentro da nossa cultura”.
Ao longo do texto, Lucas faz questão de afastar a culpa das pessoas que compartilham esse tipo de conteúdo. “O problema não é quem posta. Nunca foi”, ressalta. Segundo ele, a questão central está no sistema que vende esse padrão como a única forma legítima de felicidade: “O problema é que essa imagem virou a principal promessa de felicidade gay. E promessa única sempre vira armadilha”. Ele também chama atenção para o recorte de classe presente nesse imaginário e lembra que “a maioria dos gays não tem corpo musculoso o ano inteiro”, “a maioria não faz viagens luxuosas” e “a maioria não vive cercada de amigos perfeitos”.
Na parte final, o psicólogo desmonta a lógica da comparação silenciosa que surge a partir desse ideal, marcada por pensamentos como “se eu fosse melhor, estaria ali” ou “se eu fosse mais desejável, estaria vivendo isso”. Para Lucas, trata-se de “uma promessa vazia”. Ele reforça: “Nenhum corpo sustenta pertencimento. Nenhuma viagem resolve solidão”. E conclui com uma mensagem direta de acolhimento: “Você não está falhando por não estar vivendo isso. Você não está atrasado. Talvez você só esteja vivendo uma vida que não cabe na estética”.

