Transmasculinidades negras e periféricas ocupam Brasília por justiça, saúde e equidade racial
No próximo dia 26 de janeiro de 2026, a Liga Transmasculina João W. Nery, em parceria com a Marsha Trans Brasil, realiza o II Fórum Nacional de Transmasculinidades Negras e Periféricas do Brasil. O encontro acontece das 10h às 12h, na Câmara dos Deputados, e marca um momento histórico de incidência política com o lançamento do “Dossiê Nacional de Transmasculinidades Negras e Periféricas por Justiça Reprodutiva, Equidade Racial, Direitos Humanos e Saúde”.
Com o tema “Caminhos e perspectivas para o bem-viver”, o fórum reunirá lideranças de todas as regiões do país para colocar no centro do debate as demandas de homens trans e pessoas transmasculinas negras que vivem nas periferias brasileiras. A iniciativa dá continuidade a um processo coletivo iniciado com cinco Fóruns Regionais, realizados entre outubro e novembro de 2025, um em cada região do Brasil, e reforça a urgência de políticas públicas que reconheçam as especificidades dessa população, especialmente na agenda de saúde, equidade racial e direitos humanos.
A programação inclui mesas de discussão, uma plenária em homenagem ao ativista pioneiro João W. Nery e o lançamento oficial do dossiê, construído em parceria com a Iniciativa de Justiça Reprodutiva pelas pesquisadoras Fabiana Pinto e Juliana Santhiago. O documento é resultado das discussões coletivas realizadas nas etapas regionais e contou com a participação de mais de 150 homens trans e pessoas transmasculinas negras e periféricas, além do apoio de coletivos como Duda LGBTQIA+ da Amazônia, Coletivo De Tranns Pra Frente, de Salvador, e a Marcha Trans de Porto Alegre.
O dossiê, que reúne mais de 50 recomendações, será entregue ao Ministério da Igualdade Racial, ao Ministério da Saúde e ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Para o coordenador político da Liga, Aron Giovanni Oliveira, a realidade vivida por homens trans negros e periféricos no Brasil é atravessada por uma dupla invisibilização. “Nossa existência é excluída do imaginário social e, consequentemente, as nossas necessidades são ignoradas nas políticas públicas”, afirma. Ele destaca ainda que o reconhecimento dessas vidas passa, necessariamente, por um sistema de saúde verdadeiramente universal, capaz de garantir cuidado integral, justiça reprodutiva e o direito à vida em sua plenitude.

