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Erika Hilton pode se tornar a primeira mulher trans a presidir a Comissão da Mulher na Câmara

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Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) caminha para assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, em uma articulação que envolveu acordos com outras legendas e que ainda precisa ser chancelada por votação interna. Caso a indicação seja confirmada, o colegiado passará a ser comandado por uma parlamentar que já ocupa hoje a terceira vice-presidência da comissão e que tem se destacado nacionalmente pela atuação em pautas de direitos humanos e enfrentamento às violências de gênero.

A chegada de Erika Hilton ao comando da comissão carrega um peso histórico: será a primeira mulher trans a presidir o espaço desde a criação do colegiado no Parlamento. A parlamentar tem sinalizado que pretende usar a posição para ampliar o alcance dos debates sobre políticas de gênero, trazendo para o centro da agenda temas frequentemente marginalizados no Legislativo, como o transfeminicídio e a violência direcionada a mulheres trans e travestis no país.

Atualmente, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é presidida por Célia Xakriabá (PSOL-MG), liderança indígena que imprimiu ao espaço um olhar interseccional sobre direitos das mulheres, maternidade, violência doméstica e proteção de crianças e adolescentes. Com a possível transição, a expectativa é de continuidade no enfrentamento às desigualdades, mas com uma ampliação de perspectivas que dialogue também com as vivências da população trans, historicamente empurrada para as margens das políticas públicas.

O contexto em que Erika Hilton assume esse protagonismo institucional é alarmante: o Brasil segue liderando, há quase duas décadas, o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans. Em 2025, foram registrados 80 homicídios de pessoas trans e travestis no país, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais — número inferior ao de 2024, quando houve 122 casos, mas ainda brutal o suficiente para escancarar a urgência de políticas de proteção. À frente da Comissão da Mulher, a deputada poderá transformar esse cenário em pauta permanente, pressionando o Congresso a encarar a violência de gênero em todas as suas camadas.