Em tempos de disputa sobre memória, símbolos e quem pode ocupar os espaços públicos, decisões administrativas ganham peso político. Foi nesse contexto que a bandeira do orgulho LGBTQIA+ foi retirada do Monumento Nacional de Stonewall, em Nova York, um dos principais marcos da história da luta por direitos civis da comunidade. Segundo reportagens do The New York Times e da CBS News, a remoção foi determinada pelo governo do presidente Donald Trump no dia 21 de janeiro, seguindo orientações federais sobre a exibição de bandeiras em áreas administradas pelo poder público.
Localizado em Greenwich Village, em Manhattan, o monumento preserva o local da Revolta de Stonewall, ocorrida em 1969, quando frequentadores do Stonewall Inn reagiram às batidas policiais e deram início a uma série de protestos que se tornaram um divisor de águas para o movimento LGBTQIA+. O episódio é apontado por historiadores como o ponto de partida do movimento moderno de libertação gay e inspirou a criação das Paradas do Orgulho ao redor do mundo. O local foi reconhecido oficialmente como monumento nacional em 2016, durante o governo de Barack Obama, por sua importância histórica e simbólica.
A decisão provocou reação imediata de lideranças políticas LGBTQIA+ de Nova York. Em publicação nas redes sociais, o presidente do distrito de Manhattan, Brad Hoylman-Sigal, afirmou que “eles não podem apagar nossa história” e garantiu que “nossa bandeira do Orgulho será hasteada novamente”. Em declaração conjunta divulgada à imprensa, Hoylman-Sigal classificou a medida como “um ato deliberado de apagamento”, ao lado do senador estadual Erik Bottcher, da deputada estadual Deborah Glick e do deputado estadual Tony Simone, que também assinaram o posicionamento crítico à ordem federal.
Em nota enviada à revista PEOPLE, o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos afirmou que a retirada segue “diretrizes governamentais”, que permitem apenas o hasteamento da bandeira dos EUA e de outras autorizadas pelo Congresso ou por departamentos federais em mastros sob sua administração. O órgão reforçou que o Monumento Nacional de Stonewall continua comprometido em preservar e interpretar o significado histórico do local por meio de exposições e programas educativos.










