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Justiça afasta PMs após denúncia de agressões e homofobia contra casal gay no Carnaval de Salvador

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A Justiça da Bahia determinou o afastamento cautelar de quatro policiais militares após a denúncia de agressões físicas e ofensas homofóbicas durante o Carnaval de Salvador. O episódio envolveu um soldado da PM que estava de folga, o marido dele, o professor João Cruz, e um amigo do casal, também policial militar. O caso aconteceu na noite de sábado (14), no Morro do Gato, área do circuito Dodô (Barra-Ondina), um dos pontos mais movimentados da folia, e agora é alvo de investigação criminal e administrativa.

De acordo com o relato de João Cruz à TV Bahia, a confusão começou após o casal sofrer xingamentos homofóbicos enquanto curtia o desfile atrás do trio do Papazoni. A discussão teria escalado quando pessoas que acompanhavam o agressor se aproximaram, momento em que policiais do BPATAMO chegaram ao local. Segundo o professor, a abordagem foi truculenta, com uso de cassetetes e agressões mesmo após o marido e o amigo se identificarem como policiais militares. O amigo do casal sofreu ferimentos no rosto, precisou passar por cirurgia no Hospital Geral do Estado (HGE) e segue internado; já o soldado foi detido por desrespeito a superior, com base no Código Penal Militar, e liberado dias depois.

Ainda conforme a denúncia, além das agressões físicas, o grupo teria sido alvo de insultos homofóbicos e tratamento degradante durante a condução a um posto da corporação. João Cruz afirma que foi imobilizado sem resistência, xingado e impedido de registrar a abordagem com o celular, que teria sido retido por uma policial durante a ação. O professor também relatou que, mesmo feridos e sangrando, eles não foram encaminhados de imediato para atendimento médico. O caso é investigado pela 7ª Delegacia Territorial do Rio Vermelho e pela Corregedoria da PM, que apuram os possíveis excessos cometidos na operação.

Procurada, a Polícia Militar da Bahia apresentou uma versão diferente dos fatos, afirmando que a guarnição interveio para conter uma briga generalizada no local e que os envolvidos foram separados e conduzidos para atendimento médico. A corporação informou ainda que um dos policiais, que estava de folga, apresentou comportamento exaltado e desrespeitoso, sendo levado ao posto de comando para adoção das medidas cabíveis. Sobre as denúncias de truculência, ofensas homofóbicas e retenção de celular, a PM afirmou que tudo será rigorosamente apurado e que cumpre integralmente o afastamento dos quatro militares, reforçando que não compactua com condutas discriminatórias e incompatíveis com a ética profissional.