A Justiça de Minas Gerais deu mais um passo no processo que apura um caso de homofobia contra um casal de mulheres em Belo Horizonte. Na tarde desta segunda-feira (9), foi realizada a audiência de instrução de Paulo Henrique Mariano Cordeiro, denunciado por ofender as vítimas enquanto elas aguardavam na fila de um supermercado no bairro Nova Suíça, na Região Oeste da capital, em junho de 2025. O episódio, ocorrido em um espaço cotidiano e público, expôs mais uma vez como a violência LGBTfóbica ainda atravessa situações banais do dia a dia, transformando ambientes comuns em cenários de medo.
Durante a audiência, foram ouvidas as vítimas, duas testemunhas de acusação e uma de defesa. O casal relatou os impactos emocionais do episódio, afirmando que passou a conviver com sentimentos de ansiedade e insegurança após as agressões verbais. As mulheres também destacaram que o ataque foi presenciado pelo filho delas, uma criança, que se assustou ao ver as mães sendo hostilizadas. A defesa levou como testemunha um parente gay do réu, que declarou nunca ter sido alvo de maus-tratos por parte dele, em uma tentativa de relativizar a conduta denunciada no processo.
Paulo Henrique optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. Ao final da sessão, o juiz Bruno Taveira, da 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte, decidiu manter as medidas protetivas concedidas às vítimas. A audiência encerrou a fase de produção de provas, e agora as partes terão prazo para apresentar as alegações finais antes da sentença. O caso segue como um lembrete da importância de responsabilizar atos de homofobia e de garantir proteção às pessoas LGBTQIA+ que buscam apenas existir e circular em segurança pela cidade.
Paulo já esteve envolvido em pelo menos cinco outras ocorrências de agressão. Uma delas aconteceu em 2009, em uma sauna gay no Centro de BH. Na época, ele tinha 19 anos e foi levado à delegacia após agredir um jovem de 22. Em outro caso, ele é acusado de bater na própria tia.










