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Montado de drag queen, arquiteto denuncia homofobia após ser xingado e agredido no Carnaval de Olinda

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Durante o Carnaval de Olinda, uma noite que deveria ser de celebração e liberdade terminou em violência para o arquiteto e artista Augusto Mendonça. Vestido como drag queen, com peruca, maquiagem e cílios postiços, ele relata ter sido alvo de ofensas e, em seguida, de uma agressão física ao cruzar com um grupo de jovens no bairro do Carmo, no Sítio Histórico da cidade. O ataque aconteceu no domingo (15), por volta das 21h, em meio à movimentação típica da folia.

Segundo o relato de Augusto ao g1, a abordagem começou com xingamentos quando ele seguia sozinho pelas ladeiras. “Vinham uns cinco jovens. Continuei no mesmo rumo, para não intimidar os caras. Um dos caras falou assim: ‘Que bicha feia da p****’. Aí eu disse ‘boa noite’ e continuei, porque sei que, com esse tipo de gente, não se brinca”, contou. Pouco depois, outro grupo se aproximou, aumentando o clima de intimidação. “Quando eu avisto, vem mais de 10 jovens. Aí esse primeiro cara que me xingou falou ‘olha aí, para tu’, se referindo a um dos rapazes que estavam nesse segundo grupo”, relembrou.

A agressão física aconteceu logo em seguida, quando um dos homens se aproximou e partiu para o ataque. “Quando esse cara chega perto de mim, ele dá um soco. Um soco forte no meu olho. Eu me abaixo na hora, a cabeça zumbindo. Levantei e eles continuaram tranquilamente o trajeto. Coloquei a mão e estava saindo sangue, senti que o olho começava a inchar. Fiquei na minha, calado, porque eu não ia voltar para procurar briga com 15 pessoas”, relatou o artista. Ferido, ele pediu gelo a um ambulante e seguiu até o carro, passando por viaturas da PM sem acionar ajuda. “Eu pensei: não vai mudar em nada. Fiquei com vergonha, um monte de coisa misturada”, desabafou.

De volta ao Recife, Augusto procurou atendimento médico em uma UPA, onde foi medicado e passou por exames. Envergonhado e com medo, ele contou que escondeu a agressão da mãe e dos amigos. “Eu escondi porque não queria que eles ficassem preocupados. Falei que caí da rede. Fiz o vídeo relatando tudo porque eu não podia mais guardar isso”, afirmou. Na quinta-feira, ele registrou boletim de ocorrência e realizou exame de corpo de delito no IML. Mesmo abalado, garante que vai seguir em busca de justiça: “Eu não vou desistir”.

 

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