A rapper Nicki Minaj voltou a se envolver em polêmica ao comentar publicamente sua visão sobre juventudes trans e o acesso a cuidados de afirmação de gênero. Durante participação no programa The Katie Miller Podcast, na última terça-feira (3), a artista foi questionada sobre sua postura crítica em relação ao governador da Califórnia, Gavin Newsom. Ao ser provocada sobre o tema, Minaj tentou diferenciar sua posição, afirmando: “Quero deixar claro. Pessoalmente, não tenho nenhum problema com a parte trans do movimento LGBT”. Na sequência, completou: “Eu sou a maior defensora de que os adultos possam fazer o que bem entenderem, eles são adultos. Não me importo.”
Na tentativa de justificar seu ponto de vista, a cantora comparou cirurgias de afirmação de gênero em jovens trans a procedimentos estéticos em adolescentes cis, afirmando que “noventa e nove por cento dos pais não deixariam suas filhas de 17 anos colocarem implantes mamários” e que, por isso, “se você não deixaria uma filha colocar implantes mamários, você não vai querer que ela faça nenhum tipo de cirurgia”. Minaj ainda reforçou seu argumento dizendo: “Todos nós sabemos que o cérebro ainda não está totalmente desenvolvido”, ao defender que menores de idade não deveriam ter acesso a esse tipo de procedimento.
Em outro momento da entrevista, a rapper recorreu a um dado controverso para sustentar sua posição, afirmando que jovens que se submeteram a cirurgias de afirmação de gênero teriam “19 vezes mais probabilidade” de morrer por suicídio. “O que mais você precisa saber? Que uma criança tem 19 vezes mais chances de cometer suicídio se passar por uma cirurgia antes de se tornar adulta? Eu só queria deixar isso claro”, disse ela, acrescentando ainda: “É claro que não julgo os adultos, eles podem fazer o que quiserem.” A cantora não apresentou fonte para o número citado, que costuma ser retirado de estudos antigos e frequentemente usado fora de contexto em discursos anti-trans.
Especialistas e organizações de direitos humanos apontam, no entanto, que cirurgias de afirmação de gênero em menores de 18 anos são extremamente raras nos EUA e só acontecem após avaliações rigorosas e acompanhamento prolongado entre equipe médica, família e paciente. Estudos mais recentes indicam que o acesso a cuidados de afirmação de gênero está associado a melhora na saúde mental de jovens trans. Pesquisadores também reforçam que os índices elevados de sofrimento psíquico e suicídio entre pessoas trans estão diretamente ligados a fatores externos, como discriminação, bullying, estigmatização social e políticas de exclusão, e não aos tratamentos em si.










