Percepção sobre homofobia cresce no Brasil e atinge maior nível desde 2021, aponta levantamento

A percepção de que a homofobia segue presente no Brasil voltou a crescer e atingiu o maior patamar desde o início da série histórica. É o que aponta um levantamento recém-divulgado que mostra um avanço de seis pontos percentuais nos últimos dois anos na avaliação de que existe preconceito contra pessoas homossexuais no país. Em 2021, 68% dos entrevistados reconheciam a existência da discriminação; em 2024, o índice subiu para 70% e, agora, em 2025, chegou a 74%, indicando uma leitura social cada vez mais atenta às violências e exclusões vividas pela população LGBTQIAPN+.

Na contramão desse crescimento, caiu o número de pessoas que afirmam não existir preconceito contra homossexuais no Brasil. Esse grupo, que representava 21% em 2021, passou para 22% em 2024, recuou para 20% no ano passado e agora despencou para 17%. Já entre os que disseram não saber responder, a oscilação foi menor: de 11% em 2021, o índice caiu para 8% em 2024, chegou a 6% no último ano e subiu levemente para 7% na edição mais recente da pesquisa.

Os recortes do levantamento ajudam a entender como essa percepção se distribui entre diferentes grupos. Mulheres reconhecem mais a existência da homofobia (78%) do que homens (75%). Por faixa etária, os jovens de 16 a 24 anos lideram essa percepção, com 82%, seguidos por pessoas com mais de 60 anos (79%). As faixas intermediárias aparecem com índices menores: 76% entre 25 e 44 anos e 72% entre 45 e 59 anos. Regionalmente, o Sudeste concentra o maior percentual de pessoas que acreditam na existência de preconceito (80%), à frente do Sul (79%), Centro-Oeste (75%), Nordeste (72%) e Norte (69%).

A pesquisa também revela diferenças associadas à renda e ao posicionamento político. A percepção da homofobia é mais elevada entre quem recebe mais de cinco salários mínimos (80%) e também entre quem ganha até dois salários mínimos (77%), enquanto o grupo intermediário, com renda entre dois e cinco salários, apresenta o menor índice (72%). Entre eleitores, quem declarou voto em Lula nas últimas eleições percebe mais o preconceito (80%) do que aqueles que afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro (72%). O levantamento foi realizado pelo PoderData, do grupo Poder360 Jornalismo, com 2.500 entrevistas em 111 municípios das 27 unidades da Federação, entre 24 e 26 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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