A Polícia Militar do Acre prendeu em flagrante, na segunda-feira (16), o advogado Aluísio Veras de Almeida Neto, de 42 anos, acusado de estuprar um jovem de 18 anos e mantê-lo em cárcere privado dentro de um motel em Rio Branco. Segundo o relato da vítima, um rapaz peruano, o encontro havia sido marcado por aplicativo e a proposta inicial era apenas consumir bebidas alcoólicas. No local, porém, a situação teria mudado, com tentativas de relação sexual sem consentimento. Quando os policiais chegaram ao estabelecimento, encontraram a porta do quarto aberta e os dois trancados no banheiro. O jovem estava chorando, e a equipe precisou arrombar a porta para intervir.
De acordo com o depoimento à polícia, o rapaz tentou deixar o motel após se recusar a manter relações sexuais, mas foi impedido. A intervenção ocorreu após a própria vítima acionar a PM, relatando que não conseguia sair do local e que havia sido abusada. O advogado foi levado para a delegacia e teve a prisão preventiva decretada durante audiência de custódia na terça-feira (17), sendo encaminhado ao Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA). À época da abordagem, ele utilizava tornozeleira eletrônica.
O caso chama atenção porque o advogado já é investigado pela morte de David Weverton Matos Araújo, ocorrida no mesmo motel, em julho de 2025. Ele foi indiciado por homicídio e respondia ao processo em liberdade. Na ocasião, imagens mostraram o suspeito chegando ao estabelecimento com David, que, durante a madrugada, saiu do quarto, caminhou pela calçada e caiu já sem vida. Inicialmente, a morte chegou a ser atribuída a uma possível overdose, mas exames do Instituto Médico Legal apontaram também traumatismo craniano, com um ferimento profundo na cabeça. O investigado afirmou, à época, não se recordar do que teria acontecido com a vítima.
Com a repercussão do novo caso, a mãe de David Weverton voltou a se manifestar e relembrou o tratamento recebido pela família durante as apurações. Segundo ela, chegou a ser questionada se o filho era gay, o que, em sua avaliação, contribuiu para leituras preconceituosas sobre a morte do jovem. Diante dos fatos mais recentes, a Ordem dos Advogados do Brasil no Acre informou, em nota, que instaurou processo ético-disciplinar para apurar a conduta do advogado e eventuais violações ao código da profissão.











