Na sexta-feira de Carnaval (13/2), um servidor da Polícia Federal, de 40 anos, foi preso em flagrante em Samambaia, no Distrito Federal, após ameaçar dois rapazes com uma arma de fogo em um estabelecimento comercial da região. Segundo a Polícia Militar do DF, a abordagem começou quando o homem questionou se os dois eram um casal, partindo da suposição de que se tratava de um relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. A situação rapidamente escalou para um episódio de intimidação armada, em um contexto de consumo de bebida alcoólica por parte do agressor, de acordo com o relato das vítimas.
Ainda conforme as autoridades, após a negativa de que fossem um casal, um dos homens tentou encerrar a abordagem com uma resposta irônica, dizendo que o outro seria seu “filho”. O agressor, então, retrucou: “Como é para você ter um filho gay?”. Em seguida, quando uma das vítimas se levantou para pagar o pedido no local, o investigado sacou uma pistola calibre 9 mm, apontou a arma e ordenou que o homem se deitasse no chão com as mãos na cabeça. Testemunhas relatam que ele se apresentou de forma intimidadora como policial, ironizando os pedidos para que a polícia fosse acionada.
A Polícia Militar foi chamada e efetuou a prisão em flagrante. Com o servidor, foi apreendida a pistola municiada com 13 cartuchos intactos. Apesar de possuir porte de arma regular, a conduta levou à detenção e ao registro da ocorrência na 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia Norte. O investigado foi autuado por injúria racial e ameaça, e o caso passou a ser apurado pela Polícia Civil do Distrito Federal. Em audiência de custódia, realizada no domingo, a Justiça concedeu liberdade provisória, determinando a suspensão da posse de arma e mantendo a apreensão do armamento.
Em nota, a defesa do servidor alegou que os vídeos divulgados nas redes mostram apenas um recorte do episódio e não contemplam o contexto completo da abordagem. Segundo os advogados, o cliente teria interpretado que havia uma situação de risco envolvendo um dos homens, que aparentaria ser menor de idade, e agiu acreditando estar evitando uma possível agressão ou aliciamento. A defesa nega motivação discriminatória ou prática de crime de ódio e afirma que os esclarecimentos serão apresentados ao longo do processo, enquanto o caso segue sob investigação.



