Uso da PrEP cresce no Brasil e redefine a prevenção ao HIV, mas ainda enfrenta barreiras

O acesso à profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) segue em trajetória de expansão no Brasil e reforça a importância da prevenção combinada como política pública de saúde. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que o uso regular da PrEP cresceu 28,1% entre 2024 e 2025, saltando de 110.733 para 141.891 dispensações no período. A distribuição ocorre majoritariamente pelo SUS, responsável por 93% das prescrições, enquanto a rede privada responde por 7%.

Apesar do avanço no acesso, o levantamento também acende um alerta: o número de tratamentos descontinuados aumentou em ritmo ainda mais acelerado. Em 2025, 77.522 pessoas interromperam o uso da PrEP, um crescimento de 41,6% em relação a 2024, quando foram registrados 54.740 abandonos. O dado evidencia que ampliar o acesso é fundamental, mas garantir acompanhamento, informação e adesão contínua segue sendo um desafio central para as políticas de prevenção.

O perfil de quem utiliza a PrEP no país revela recortes já conhecidos das estratégias de prevenção ao HIV. Pouco mais de 80% dos usuários são homens que fazem sexo com homens (HSH), seguidos por homens heterossexuais (8,4%) e mulheres (6,5%). Em termos raciais, 54% se declaram brancos ou amarelos, enquanto 33% são pardos e 13% pretos. A faixa etária mais frequente está entre 30 e 39 anos, concentrando 42,7% dos usuários, seguida por jovens de 25 a 29 anos e pessoas entre 40 e 49 anos.

Especialistas apontam que o crescimento no uso da PrEP está ligado tanto à maior conscientização da população quanto à atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, que passou a recomendar a profilaxia para todas as pessoas sexualmente ativas. A mudança contribui para reduzir estigmas e ampliar o alcance da prevenção, impacto que já se reflete em números como a queda de 54,6% nos diagnósticos de HIV em São Paulo entre 2016 e 2023. “O avanço da PrEP representa, para o combate ao HIV/Aids, algo equivalente à chegada dos antirretrovirais na década de 1990, com a diferença de que hoje estamos atuando de forma muito efetiva para prevenir novas infecções”, afirma Sérgio Frangioni, CEO da Blanver, fabricante do medicamento.

Felipe Sousa

Ariano e carioca, Felipe tem 31 anos e há mais de 10 é redator do Pheeno. Apaixonado por explorar a comunicação no cenário dinâmico das redes sociais, ele se dedica a criar conteúdos que refletem a diversidade e a vitalidade da comunidade LGBTQIAPN+. Entre uma notícia e outra, Felipe reserva tempo para aproveitar o melhor da vida diurna e noturna carioca, onde encontra inspiração e conexão com sua cidade.

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