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Ativista gay iraniano condenado à morte conta que era forçado a assistir execuções: “Para saber como iriam me matar”

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A brutalidade enfrentada por pessoas LGBTQIAPN+ em países onde a homossexualidade ainda é criminalizada ganhou mais um relato estarrecedor. O ativista iraniano Ramtin Zigorat, hoje refugiado na Espanha, revelou ter sido submetido a torturas físicas e psicológicas durante sua prisão no Irã, além de ter sido forçado a assistir execuções como forma de intimidação. Segundo ele, a prática tinha um objetivo claro: mostrar qual seria o destino de pessoas como ele.

Zigorat contou que passou 40 dias em um centro de detenção, período que descreve como “os piores dias da minha vida”. Durante esse tempo, ele afirma ter sido espancado, humilhado e tratado de maneira desumana. Entre os abusos relatados, estão agressões constantes, exposição vexatória e atos degradantes, como ter sido urinado por agentes. As acusações contra ele incluíam espionagem, disseminação de “doenças homossexuais” e oposição ao Islã, o que resultou em diversas sentenças de morte.

Um dos momentos mais traumáticos, segundo o ativista, era a rotina imposta pelos carcereiros. Todas as manhãs, ele e outros detentos eram obrigados a observar execuções acontecendo no pátio da prisão. Caso desviassem o olhar ou fechassem os olhos, eram violentamente agredidos. A experiência deixou marcas profundas. “Tivemos que assistir por cinco minutos enquanto eles morriam. Se fechássemos os olhos, eles nos espancavam. Ainda tenho pesadelos com isso”, contou ele.

Sua libertação só foi possível após sua mãe vender suas próprias terras para pagar subornos às autoridades. Mesmo assim, ele foi mantido em prisão domiciliar por dois anos. A situação se agravou com a morte da mãe, vítima de câncer, o que acabou motivando familiares a ajudá-lo a fugir do país. Atualmente vivendo na Espanha, Zigorat afirma se sentir acolhido e seguro, embora ainda lide com os traumas do passado. Hoje, ele utiliza sua experiência para apoiar outras pessoas em situação de vulnerabilidade.