A eleição da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados tem sido acompanhada por uma ofensiva coordenada nas redes sociais. Segundo levantamento realizado pela equipe da parlamentar, ao menos 145 publicações patrocinadas com críticas à sua nomeação foram impulsionadas no Instagram e no Facebook, evidenciando uma articulação digital para desgastar sua imagem logo no início da gestão.
De acordo com os dados, que foram obtidos pela coluna de Igor Gadelha, as campanhas pagas partiram de nomes ligados à base bolsonarista. Entre os responsáveis pelos impulsionamentos estão as deputadas Júlia Zanatta (PL-SC), Carla Dickson (União-RN) e Geovania Sá (PSDB-SC), além dos senadores Margareth Buzetti (PP-MT) e Jorge Seif (PL-SC). Juntas, as publicações somaram um investimento de cerca de R$ 15,3 mil e alcançaram aproximadamente 2,2 milhões de pessoas, com início ainda em 26 de fevereiro, quando o nome de Hilton já despontava como possível candidata ao cargo.
Erika foi eleita no último dia 11 de março, após enfrentar resistência de setores do Centrão e da direita, que tentaram articular sua derrota nos bastidores — sem sucesso. A vitória, no entanto, intensificou ataques públicos e episódios de transfobia. Entre eles, declarações do apresentador Ratinho, que questionou, em rede nacional, o fato de uma mulher trans ocupar a presidência da comissão. Diante das falas, a deputada acionou o Ministério Público de São Paulo.
A escalada de ataques também se refletiu em manifestações políticas fora do ambiente digital. Na semana passada, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro protagonizou um protesto na Assembleia Legislativa de São Paulo ao pintar o rosto e parte do corpo de marrom em crítica à eleição de Hilton.










