A rejeição do projeto que reconheceria a Parada do Orgulho LGBTI+ de Copacabana como patrimônio cultural do Rio foi seguida por uma cena marcante na escadaria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O ativista Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-íris e um dos nomes mais importantes da história do movimento LGBTQIA+ no país, reagiu de forma contundente ao resultado, em um desabafo atravessado por memória, indignação e décadas de luta.
“Nunca foi fácil para a nossa comunidade. Eu fui fundador da Parada em 1995 e estava me passando vários flashs naquele momento”, disse Cláudio, relembrando os primeiros anos de organização. Em sua fala, ele trouxe à tona episódios de repressão enfrentados no início da Parada, quando o próprio direito de ocupar as ruas e a praia de Copacabana era constantemente ameaçado. “Era naquele momento a prefeitura ordenando órgãos para nos expulsar da praia de Copacabana”, afirmou.
O ativista também reviveu um dos momentos mais emblemáticos daquele período, marcado pela coragem coletiva. “E a gente com ousadia, com coragem, fizemos um corredor polonês até chegar perto da Conselha Militar e dizer para eles que aquela luta não era deles, que a prefeitura estava tendo uma postura higienizada, moralista, impedindo que a nossa comunidade se mobilizasse”, declarou. O relato reforça que a Parada, hoje consolidada, nasceu em meio a confrontos diretos e resistência nas ruas.
Ao final, Cláudio destacou a dimensão que aquela mobilização alcançou ao longo dos anos. “E nós conseguimos sair com a primeira Parada e realizamos agora a 30ª Parada no ano passado em Rio de Janeiro. Hoje no Brasil, são mais de 500 cidades brasileiras que realizam Parada”. O episódio evidencia que o que está em disputa vai além de um reconhecimento oficial: trata-se da valorização de uma trajetória construída com coragem, que ajudou a redesenhar a presença LGBTQIA+ no espaço público brasileiro.










