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Reflexão de DaCota Monteiro abre debate sobre raça e gênero: “Hierarquizar violências não ajuda ninguém”

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A drag queen, apresentadora e criadora de conteúdo DaCota Monteiro provocou debate no X (antigo Twitter) ao compartilhar uma reflexão sobre raça, gênero e violência estrutural no Brasil. Em um longo desabafo, a artista afirmou que fica desconfiada quando vê discussões que colocam gênero acima de raça na hierarquia das opressões. “Eu fico meio cabreira com essa conversa de ‘gênero vem antes de raça’”, escreveu DaCota, explicando que sua percepção vem da própria trajetória, já que “eu já fui um homem negro antes de começar a ficar mais afeminado”.

Na publicação, ela argumenta que homens negros muitas vezes são vistos como mais descartáveis pela sociedade, sobretudo quando não correspondem ao papel esperado de força física ou trabalho braçal. “O homem negro é visto como útil pra serviço braçal, segurança, FORÇA num geral”, afirmou. Segundo DaCota, quando esses homens não se encaixam nesse lugar, passam a ser percebidos como ameaça. “Quando não usa isso a favor da branquitude é visto como um grande perigo, um criminoso, uma ameaça violenta que precisa ser EXTERMINADA”, escreveu.

A reflexão também aborda a posição social atribuída às mulheres negras. Para a drag, essas mulheres costumam ser pressionadas a ocupar papéis de cuidado e serviço invisível, além de serem cobradas a demonstrar resistência diante das violências. “Aqui no Brasil a mulher negra tem essa imagem de BATALHADORA e acreditam que ela aguenta muito mais violência do que mulheres brancas”, apontou. Ela também afirma que, quando não correspondem à expectativa de submissão ou docilidade, muitas acabam tendo suas dores deslegitimadas.

Ao final do texto, DaCota faz questão de reforçar que não fala a partir de um lugar acadêmico, mas sim da própria vivência. “Eu não sou acadêmica nem autoridade de porra nenhuma e falo somente da minha experiência”, escreveu. A artista também criticou disputas sobre qual grupo sofre mais, defendendo que esse tipo de comparação não contribui para o debate. “Eu acho que hierarquizar as violências não vai ajudar ninguém”, concluiu.