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Senegal intensifica perseguição a gays e prende médico acusado de “sodomia” e suposta transmissão de HIV

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A recente escalada de repressão contra a população LGBTQIA+ no Senegal ganhou novos contornos com a prisão de um médico ligado ao Centro Nacional de Transfusão de Sangue (CNTS). Detido na última quinta-feira (2/4), o profissional de 38 anos é acusado de sodomia — crime no país — e de supostamente transmitir HIV de forma intencional a pacientes. O caso acontece poucos dias após a promulgação de uma lei que endurece ainda mais as punições contra homens gays, dobrando as penas de prisão e intensificando um cenário já marcado por perseguições.

Segundo informações de fontes ligadas ao tribunal de Pikine Guédiawaye, o médico foi interceptado enquanto tentava deixar Dakar pelo Aeroporto Internacional Blaise Diagne. Ele também é apontado como tendo mantido relações com o apresentador de TV Pape Cheikh Diallo, uma figura conhecida no país que agora enfrenta acusações semelhantes. O caso rapidamente ganhou repercussão nacional, ampliando o clima de tensão e vigilância em torno da comunidade LGBTQIA+.

Após a prisão, uma onda de desinformação tomou conta das redes sociais, com usuários levantando suspeitas sobre uma possível contaminação de bolsas de sangue. “É urgente verificar se as bolsas de sangue não foram contaminadas e não transmitiram o HIV”, escreveu um internauta. Em resposta, o CNTS tentou conter o pânico, reforçando que todo o sangue coletado passa por testes rigorosos, incluindo triagem para HIV. Em comunicado, a instituição afirmou que “doar sangue continua sendo um ato seguro”, sem confirmar se o médico é portador do vírus.

O episódio se soma a um contexto mais amplo de violência e exclusão. Com a nova legislação, homens gays no Senegal podem ser condenados a até dez anos de prisão. Em meio a esse cenário, histórias como a de Assane — nome fictício — revelam o impacto humano da perseguição. Após ser descoberto pelo pai, que ameaçou matá-lo, ele fugiu para a França há sete meses. “Fugir não é uma alegria, mas pelo menos ainda estou vivo”, relata. Em um país profundamente religioso, onde a homossexualidade é frequentemente tratada como tabu ou influência externa, muitos seguem vivendo entre o medo, o exílio e a invisibilidade.