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Brasil vê crescer a violência contra pessoas LGBTQIAPN+, com jovens de 15 a 29 anos entre os mais afetados

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O novo Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26), acende um alerta importante sobre a realidade enfrentada pela população LGBTQIAPN+ no Brasil. Produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o levantamento mostra que os registros de violência contra esse grupo continuam em crescimento ao longo dos últimos anos, mantendo uma trajetória de alta na série histórica analisada.

De acordo com o estudo, apenas em 2024 foram contabilizados 10.250 casos de violência contra pessoas homossexuais e bissexuais, um aumento de 5,5% em relação ao ano anterior. Quando se observa o recorte mais detalhado, os registros envolvendo pessoas homossexuais subiram de 7.043 para 7.378, enquanto entre pessoas bissexuais o número saltou de 2.675 para 2.872 ocorrências. O crescimento acumulado desde o início da série chega a expressivos 212,7%, evidenciando uma expansão significativa das notificações na última década.

O levantamento também aponta aumento nos casos envolvendo pessoas transexuais e travestis, com 5.575 registros em 2024, alta de 2,6% na comparação anual. Ainda assim, o relatório chama atenção para o fato de que a violência não se manifesta de forma homogênea dentro da população LGBTQIAPN+, variando conforme fatores como identidade de gênero, orientação sexual, idade e acesso a canais de denúncia. Jovens entre 15 e 29 anos aparecem como os mais vulneráveis, especialmente em contextos marcados por conflitos familiares, escolares e sociais durante o processo de afirmação identitária.

Apesar do avanço nos números, os pesquisadores reforçam que os dados refletem apenas os casos que chegaram aos sistemas de saúde, como o Sinan e o SIM, vinculados ao Ministério da Saúde. Ou seja, não representam a totalidade da violência vivida por essa população, historicamente atravessada por barreiras de acesso institucional e subnotificação. Ainda que parte do aumento possa estar ligada à melhoria dos registros e maior visibilidade, o Atlas destaca que a dimensão desse crescimento exige atenção, indicando possíveis mudanças reais no padrão da violência e reforçando a necessidade de políticas públicas mais eficazes e direcionadas.