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Após mobilização estudantil, Unesp se torna a 40ª universidade do Brasil a adotar cotas para pessoas trans e travestis

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Nesta terça-feira (23), a Universidade Estadual Paulista, a Unesp, anunciou a aprovação de uma política de reserva de vagas para estudantes travestis e transexuais. A medida, que passa a valer a partir do processo seletivo de 2027, foi formalizada por meio da assinatura de um termo político de compromisso. A decisão é resultado de uma mobilização estudantil que ganhou força durante a greve estadual da instituição, iniciada em maio de 2026 e que envolveu campi espalhados por diversas cidades do estado de São Paulo.

A reivindicação, no entanto, começou a ser construída muito antes. Em novembro de 2024, durante o Congresso de Estudantes da Unesp (CEU), foi criada a Frente por Cotas Trans Carmen de Oliveira Alves, coletivo que passou a articular debates e propostas voltadas à ampliação do acesso de pessoas trans ao ensino superior. Inspirado em um modelo semelhante aprovado pela Unicamp em 2025, o projeto prevê a criação de vagas suplementares, com pelo menos uma vaga destinada por curso, além da reserva de metade dessas oportunidades para candidatos pretos, pardos e indígenas (PPI).

Com a iniciativa, a Unesp passa a integrar o grupo de universidades brasileiras que adotam políticas afirmativas voltadas especificamente para pessoas trans. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), a instituição se torna a 40ª universidade do país a implementar esse tipo de ação na graduação. O avanço acompanha um movimento nacional de expansão das cotas para travestis e transexuais nas universidades públicas e reforça a pressão para que outras instituições sigam o mesmo caminho. Em São Paulo, a medida deixa a Universidade de São Paulo (USP) como a única universidade estadual que ainda não possui uma política semelhante.

A resolução também estabelece mecanismos para garantir que o processo de ingresso aconteça de forma acolhedora e transparente. As vagas serão ofertadas por meio de um edital específico do Enem-Unesp, enquanto a validação das candidaturas ficará sob responsabilidade de uma comissão formada por estudantes, docentes e servidores, com participação obrigatória de pelo menos uma pessoa trans. Além disso, a universidade se comprometeu a aprimorar políticas relacionadas ao uso do nome social e a criar cotas específicas dentro dos programas de assistência estudantil, ampliando as condições de permanência dos futuros estudantes contemplados pela medida.