A busca por novas formas de prevenção ao HIV ganhou um importante capítulo no Brasil. Dados preliminares do estudo ImPrEP LEN-Brasil, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revelam que uma PrEP injetável de longa duração despertou grande interesse entre os participantes da pesquisa. Aplicado apenas duas vezes por ano, o lenacapavir foi escolhido por 97% dos voluntários elegíveis, superando com folga a PrEP oral diária, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2018. Os resultados serão apresentados durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro.
Ao todo, 695 pessoas passaram pelo processo de triagem entre fevereiro e julho deste ano, das quais 668 preencheram os critérios para integrar o estudo. Entre esse grupo, 651 participantes optaram por iniciar a prevenção com a versão injetável do medicamento. Outro dado considerado significativo pelos pesquisadores é que 78,3% dos voluntários que começaram a usar o lenacapavir nunca haviam recorrido anteriormente a qualquer modalidade de PrEP, indicando que a tecnologia pode atrair um público que ainda não havia aderido às estratégias tradicionais de prevenção.
Para a pesquisadora Beatriz Grinsztejn, do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), coordenadora do estudo e presidente da Sociedade Internacional de Aids (IAS), o interesse pela nova tecnologia demonstra que há demanda por alternativas mais práticas. Segundo ela, ampliar as opções disponíveis é fundamental para aumentar a cobertura da prevenção ao HIV. A expectativa é que uma aplicação semestral facilite a adesão de pessoas que encontram dificuldades para manter o uso diário dos comprimidos, tornando a proteção mais compatível com a rotina de diferentes perfis da população.
Apesar dos resultados promissores, o lenacapavir ainda não está disponível para a população brasileira. Embora tenha sido aprovado pela Anvisa em janeiro deste ano, o medicamento aguarda definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes de uma eventual análise para incorporação ao SUS. Nesta semana, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo não chegou a um acordo com a fabricante, a Gilead, sobre os valores cobrados pela terapia, defendendo que a inovação só faz sentido quando acompanhada de acesso. Em resposta, a empresa informou que segue os trâmites regulatórios brasileiros, mantém diálogo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para ampliar o acesso ao medicamento na América Latina e estuda possíveis parcerias para produção regional, inclusive no Brasil.










