Quase cinco anos depois das declarações homofóbicas que motivaram uma ação na Justiça, o apresentador Sikêra Jr. falou publicamente pela primeira vez sobre a condenação que sofreu por discurso de ódio contra a população LGBTQIA+. Em entrevista ao jornalista Felipe Reis, no programa Além da Notícia, da MathiasTV, o comunicador afirmou que o processo o fez repensar sua postura e reconheceu que precisou mudar após arcar com as consequências de suas falas.
Ao ser questionado se a condenação havia provocado uma transformação em sua forma de agir, Sikêra afirmou: “Fui eu mesmo. Paguei caro”, declarou. Em seguida, ele diz que o processo serviu como um alerta sobre os limites do uso de uma concessão pública de televisão. “Abriu meus olhos, dizendo assim: ‘Ei, quem você pensa que é? Aonde é que você vai? […] Você usa uma concessão pública pra chegar e dizer: Olha, não se admite isso, como é que pode?’. Paguei muito caro por isso. E eu tive que evoluir”, garantiu o apresentador.
A declaração acontece após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmar, em decisão definitiva, a condenação de Sikêra Jr. e da RedeTV! ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos. O caso teve origem em comentários feitos durante o programa Alerta Nacional, em 2021, quando o apresentador atacou uma campanha publicitária do Burger King voltada à diversidade e associou pessoas LGBTQIA+ à pedofilia, utilizando expressões como “raça desgraçada” e afirmando que os envolvidos tinham “tara em criança”. À época, as declarações provocaram forte reação de entidades da sociedade civil, incluindo a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que classificou o episódio como uma grave violação dos direitos humanos.
Por unanimidade, os desembargadores da 4ª Turma do TRF-4 entenderam que as falas extrapolaram os limites da liberdade de expressão e configuraram discurso de ódio contra uma minoria. Em seu voto, o relator do processo, desembargador Luís Alberto D’Azevedo Aurvalle, afirmou ser “indelével a presença de ato ilícito causador de dano moral coletivo, não albergado pelo direito constitucional de liberdade de expressão”. A indenização será destinada ao Fundo Federal de Defesa dos Direitos Difusos, e a Justiça também determinou que a RedeTV! remova de suas plataformas todos os registros audiovisuais contendo as declarações ofensivas. Ainda que a manifestação venha apenas após uma condenação definitiva e quase cinco anos depois das declarações que motivaram o processo, resta torcer para que o aprendizado mencionado por Sikêra Jr. seja genuíno e se traduza em uma mudança permanente de postura, sem novos episódios de ataques à população LGBTQIA+.










