O cruzeiro LGBTQIA+ da Atlantis Events voltou a enfrentar obstáculos em sua viagem pelo Mediterrâneo. Depois de ter duas escalas na Turquia canceladas por decisão das autoridades locais, agora foi a vez do Egito impedir que o navio Scarlet Lady, da Virgin Voyages, atracasse em Alexandria. A embarcação, que partiu de Atenas no último domingo (5) com destino a Veneza, leva cerca de 1.900 passageiros — a maioria homens gays norte-americanos — e já precisou alterar seu roteiro duas vezes em poucos dias.
A parada em Alexandria havia sido incluída como substituição aos portos turcos, após a Turquia negar autorização para a chegada do navio sob a justificativa de que a Atlantis seria “conhecida por comportamentos incompatíveis com a estrutura da nossa sociedade e com os nossos valores morais”. Com a mudança, muitos viajantes aproveitaram para reservar excursões às pirâmides do Cairo. No entanto, os planos foram frustrados na manhã desta quarta-feira (9), quando os passageiros receberam um comunicado informando que o Egito também havia proibido a entrada do navio em suas águas.
Entre os viajantes está o jornalista Randy Slovacek, responsável pelo blog Randy Report. Ele contou que ele e o marido acordaram cedo para o passeio quando encontraram, sob a porta da cabine, um aviso oficial anunciando o cancelamento da escala. No comunicado, assinado pelo presidente da Atlantis Events, Rich Campbell, a empresa afirma ter sido surpreendida pela decisão egípcia. Segundo o executivo, tanto a Atlantis quanto a Virgin Voyages trabalharam intensamente para viabilizar a parada em Alexandria e destacaram que um itinerário semelhante foi realizado no ano passado sem qualquer incidente. A organização informou ainda que busca um novo destino para substituir a visita ao Egito.
Na semana passada, Campbell já havia classificado como “chocante” a decisão da Turquia de barrar o navio, afirmando que, em 36 anos de história da Atlantis, era a primeira vez que uma escala era recusada explicitamente por se tratar de um grupo LGBTQIA+. Embora relações entre pessoas do mesmo sexo não sejam criminalizadas nem na Turquia nem no Egito, ambos os países acumulam um histórico de restrições aos direitos da população LGBTQIA+. Nos últimos anos, autoridades turcas intensificaram a repressão a eventos do Orgulho e a espaços frequentados pela comunidade, enquanto o Egito tem utilizado leis de moralidade para promover operações contra pessoas LGBTQIA+, incluindo batidas em saunas gays e perseguições a membros da comunidade.










