O influenciador Alexsander José Rodrigues da Silva, conhecido como Moskitão, virou réu na Justiça de São Paulo pelos crimes de importunação sexual e discriminação em razão de deficiência contra o também influencer Guilherme Ribeiro dos Santos, o Tokinho. A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo foi recebida pela 26ª Vara Criminal da capital em 21 de julho de 2026, dando início à ação penal. O caso envolve uma transmissão ao vivo realizada em 30 de agosto de 2025, durante um evento musical na Arena Pinheiros, na Zona Oeste da cidade. Moskitão, que soma mais de 600 mil inscritos no YouTube, responderá ao processo em liberdade.
Segundo a denúncia, Moskitão se aproximou de Tokinho durante a live e insistiu em entrevistá-lo. Na sequência, teria tentado beijá-lo sem consentimento enquanto fazia declarações de teor sexual, entre elas: “Eu vou te abusar” e “Eu tenho fetiche por deficiente”. O Ministério Público também aponta que o influencer fez comentários discriminatórios e sexualizados sobre pessoas com nanismo. Em um dos momentos registrados na transmissão, após dizer que Tokinho não seria “normal”, Moskitão associou o tamanho do órgão sexual de homens com nanismo à condição. Tokinho chegou a corrigi-lo e pediu que utilizasse a expressão “pessoa com nanismo”, mas, conforme consta na denúncia, as referências continuaram e foram acompanhadas por novas provocações, como “micro-ondas” e “viado”.
O vídeo completo da abordagem foi transmitido ao vivo pela Twitch e acabou sendo apresentado à Polícia Civil durante a investigação. Depois do episódio, Tokinho registrou um boletim de ocorrência e publicou um vídeo nas redes sociais relatando o impacto da situação. “Eu me senti desrespeitado, constrangido”, afirmou o influencer, que disse não conhecer Moskitão antes da transmissão. A defesa da vítima, formada pelos advogados Jean Duarte, Thiago Castanho, Ruan Sousa e Joyce Silva, afirmou que o recebimento da denúncia representa “um importante avanço na busca por Justiça” e destacou que a atividade exercida nas redes sociais não afasta o dever de respeito à dignidade, à integridade e à liberdade sexual das pessoas.
A denúncia enquadra Moskitão no artigo 215-A do Código Penal, que trata da importunação sexual, e no artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão, referente à discriminação contra pessoas com deficiência. O MP também pediu que, em caso de condenação, seja fixado um valor mínimo de R$ 10 mil para reparação dos danos causados a Tokinho. Agora, o processo seguirá para as próximas etapas na 26ª Vara Criminal de São Paulo, com a futura marcação das audiências para ouvir a vítima, o acusado e as partes envolvidas. Se condenado pelos dois crimes, Moskitão poderá receber penas que, somadas, variam de dois a oito anos de reclusão, além de multa, podendo chegar a até 10 anos em circunstâncias específicas previstas na legislação.










