Aos 39 anos, Paloma de Lima Silva ainda tenta se recuperar das marcas físicas e emocionais deixadas por uma agressão brutal que sofreu em Sepetiba, na Zona Oeste do Rio. A mulher trans foi atacada por três homens enquanto voltava sozinha para casa depois de uma noite de pagode com amigas. Internada no Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, ela aguarda uma cirurgia na face e decidiu falar sobre o episódio em entrevista ao Balanço Geral, da Record, diretamente do leito onde permanece em tratamento.
Paloma contou que deixou o pagode por volta de 1h30 da manhã e seguiu a pé para casa, que ficava próxima ao local. No caminho, percebeu a presença dos três homens, que, segundo ela, esperaram que passasse para então atacá-la pelas costas. “Eles pegaram, esperaram eu passar, vieram por trás, já os três com madeira, já me batendo”, relatou. O primeiro golpe atingiu sua cabeça. A partir daí, ela passou a ser alvo de uma sequência de agressões: foram pelo menos nove pauladas, além de pedradas, socos e chutes. Depois que os homens fugiram, Paloma ficou caída e ferida na rua até ser encontrada por uma amiga que mora na região e conseguiu ajudá-la.
As consequências do ataque ainda exigem cuidados médicos. Paloma levou seis pontos no supercílio depois de ser atingida por uma pedra e também precisou de pontos na cabeça. Agora, aguarda o procedimento bucomaxilofacial, que, segundo ela, será a última cirurgia no rosto. “Eu ainda vou fazer o buco, falta só fazer a última cirurgia no rosto”, explicou durante a entrevista. A Polícia Civil informou que investiga o caso e já começou a ouvir testemunhas. Um dos suspeitos chegou a se apresentar, mas acabou liberado por não estar em situação de flagrante. A família contesta a decisão e afirma que o homem teria admitido a participação no ataque sem demonstrar arrependimento. “Ele é muito frio, falou o que fez mesmo e não se arrepende”, afirmou a irmã de Paloma.
Embora a ocorrência esteja sendo tratada inicialmente como lesão corporal, a família, as amigas e a própria Paloma sustentam que o ataque foi motivado por transfobia e pode ter configurado uma tentativa de homicídio. Pessoas próximas relataram à equipe da Record que, antes das agressões, os suspeitos teriam afirmado, durante uma discussão em um bar próximo, que não aceitavam a identidade de gênero de Paloma. Diante da violência, a mãe e a irmã da vítima fizeram um apelo por responsabilização. “Eu quero justiça”, pediu a mãe da vítima. A irmã, emocionada, classificou o episódio como “desumano” e afirmou que espera justiça “por ela, pela minha mãe e pela nossa família”.










