Uma nova tendência que circula entre jovens da Geração Z está transformando a falta de higiene em uma suposta estratégia de sedução. Batizada de “maximização de feromônios”, a prática incentiva homens heterossexuais a reduzirem a frequência dos banhos e preservarem o próprio odor corporal na esperança de se tornarem mais atraentes para as mulheres. A ideia segue a mesma lógica de outras modas de masculinidade difundidas nas redes sociais, como a chamada “maximização da testosterona”, e ganhou até um slogan inusitado: “Eu não estou fedendo, estou maximizando feromônios”.
A estratégia, segundo reportagem da Vice, parte de uma premissa bastante simples — e controversa: quanto menos o homem se preocupar em eliminar seus odores naturais, maiores seriam suas chances de despertar o interesse sexual. Alguns influenciadores, porém, teriam levado a proposta a níveis ainda mais extremos, deixando de tomar banho e até recorrendo à ingestão da própria urina sob a alegação de que isso ajudaria a liberar ou potencializar feromônios. Ao mesmo tempo, há quem acredite que boa parte desse conteúdo seja apenas uma espécie de “piada de nicho” criada para provocar reações na internet, embora alguns usuários aparentemente estejam levando a ideia a sério.
O problema é que a ciência está longe de confirmar a principal justificativa utilizada pelos adeptos da tendência. Pesquisadores ainda não conseguiram demonstrar de forma conclusiva que seres humanos produzam ou respondam a feromônios da mesma maneira que diversas outras espécies animais. Em reportagem sobre o tema, a Scientific American explica: “As secreções do corpo, algumas com odor desagradável e outras imperceptíveis ao olfato, podem estar repletas de mensagens químicas chamadas feromônios”. A publicação, porém, ressalta que, “apesar de meio século de pesquisas sobre esses sinais sutis, ainda não encontramos evidências diretas de sua existência em humanos”. Também não há comprovação de que simplesmente deixar de tomar banho aumente a capacidade de alguém atrair um parceiro.
Isso, no entanto, não significa que o cheiro corporal não tenha qualquer influência na atração. É perfeitamente possível sentir prazer pelo odor natural de outra pessoa, especialmente quando existe intimidade ou desejo — algo que também acontece entre pessoas LGBTQIAPN+. Um homem gay resumiu bem a diferença nas redes sociais: ele contou que gosta do cheiro de um homem que acabou de malhar ou realizar algum trabalho físico, mas fez questão de estabelecer um limite: “Se for falta de higiene, mau cheiro, aí não, isso é nojento”. No fim, entre o cheiro natural de alguém desejado e simplesmente estar fedendo, parece existir uma diferença que nenhum algoritmo de masculinidade da internet conseguiu eliminar.










