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Ingrid Guimarães fala sobre conexão com gays em “Minha Melhor Amiga”: “Todo filme que eu faço, penso se os gays vão gostar”

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O sucesso de “Minha Melhor Amiga” nos cinemas ganhou um ingrediente especial para Mônica Martelli e Ingrid Guimarães: a identificação do público LGBTQIAPN+. O longa dirigido por Susana Garcia acaba de ultrapassar a marca de 4 milhões de espectadores e, embora tenha como centro a amizade entre duas mulheres na casa dos 50 anos, também vem encontrando eco entre LGBTs que se reconhecem nos dilemas afetivos apresentados pela história. Para Ingrid, essa conexão não é uma surpresa. A atriz conta que a comunidade é um público que está sempre presente em seu olhar na hora de fazer seus trabalhos.

“É um público muito caro para mim. Todos os filmes que eu faço, eu penso: será que os gays vão gostar?”, revelou Ingrid durante coletiva de imprensa no filme. A atriz destaca que, apesar de “Minha Melhor Amiga” ser uma produção profundamente ligada às experiências femininas, as questões abordadas ultrapassam gênero e orientação sexual. Segundo ela, a equipe pensou justamente nessa possibilidade de identificação durante a construção do filme. “Apesar de ser um filme tão feminino, fiquei feliz de saber que vários casais gays de amigos se identificam com as mesmas questões. Nós pensamos muito nisso”, explicou.

Mônica Martelli também falou sobre a relação especial que mantém com o público gay e lembrou, em tom bem-humorado, situações vividas em outros trabalhos. “Quando eu faço ‘Minha Vida em Marte’ (a peça), tem hora que eu olho e é só gay. Eles me falam: ‘Mônica, eu estou sofrendo de amor’”, brincou a atriz. A conexão ajuda a explicar por que a história de Julia e Clara consegue dialogar para além da experiência feminina: o filme acompanha duas amigas que enfrentam mudanças nos relacionamentos, medo da solidão, separações e a necessidade de descobrir quem são quando antigos vínculos deixam de ocupar o mesmo espaço.

Inspirado também em experiências pessoais das próprias protagonistas, “Minha Melhor Amiga” acompanha Julia (Mônica) e Clara (Ingrid) depois que as filhas das duas viajam para Portugal para estudar. Diante da sensação de “ninho vazio”, elas embarcam para Lisboa em busca de um novo horizonte, mas acabam enfrentando situações inesperadas. Ingrid conta que levou para o roteiro histórias de sua geração e de amigas que passaram anos em casamentos antes de considerar uma separação. Já Mônica revelou que questões pessoais da dupla também acabaram incorporadas à trama. O resultado é uma comédia sobre amizade, amor e recomeços que já levou milhões de brasileiros aos cinemas — incluindo espectadores LGBTQIAPN+ que encontraram nas histórias das personagens conflitos que também atravessam suas próprias relações.