Duas mulheres foram condenadas à prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional, pela tortura e morte de Sam Nordquist, homem transgênero de 24 anos que foi mantido em cativeiro e submetido a semanas de violência em um motel no interior de Nova York, nos Estados Unidos. Precious Arzuaga, de 40 anos, e Jennifer Quijano, de 32, receberam as sentenças nesta terça-feira (9), após se declararem culpadas pelas acusações de homicídio, sequestro, conspiração e ocultação de cadáver. Durante a audiência, a juíza Kristina A. Karle questionou Arzuaga sobre sua participação no crime: “Não sei o que existe nesse seu coração para ser capaz de fazer esse tipo de coisa, mas também de conseguir envolver outras seis pessoas, uma delas seu filho?”.
Segundo os promotores, Arzuaga era apontada como líder do grupo de sete pessoas envolvidas no assassinato. Nordquist havia viajado de Minnesota para Nova York em setembro de 2024 para encontrar Arzuaga, com quem mantinha um envolvimento romântico iniciado pela internet. O que deveria ser uma estadia de duas semanas, porém, se estendeu por meses no Patty’s Lodge, onde ela vivia com os dois filhos. Com o passar do tempo, o contato do jovem com a família foi diminuindo até ser completamente interrompido, em 1º de janeiro de 2025. De acordo com as autoridades, nesse período ele passou a sofrer uma série de agressões, incluindo espancamentos, abuso sexual, privação de comida e água e outras formas de tortura. “Sam sentiu dor por dias e semanas a fio, e você poderia ter colocado fim a isso”, afirmou Karle durante a sentença.
Nordquist morreu em 2 de fevereiro de 2025 em decorrência dos ferimentos. Cerca de duas semanas depois, seu corpo foi encontrado dentro de um saco de lixo, abandonado em uma área de mata de uma fazenda a aproximadamente 24 quilômetros do motel. Segundo as autoridades, os dois filhos de Arzuaga, uma menina de 12 anos e um menino de 7, também foram obrigados a participar das torturas. Antes de encerrar o procedimento, a juíza determinou ainda que Arzuaga fosse submetida a medidas protetivas que a impedem de ter contato com os próprios filhos pelo resto da vida. Ao comentar a vítima, Karle afirmou: “Era alguém que era bom. Tudo o que você não é”.
A família de Nordquist também se manifestou durante a audiência. Em meio às lágrimas, a mãe, Linda Nordquist, e a irmã, Kayla Nordquist, descreveram Sam como uma pessoa amorosa, gentil e compassiva, que acreditava no melhor das pessoas e havia viajado para Nova York por acreditar no relacionamento que havia construído com Arzuaga. “Precious, de todas as pessoas envolvidas neste caso, você sabia exatamente por que Sam veio para cá”, afirmou Linda. “Ele confiava em você. Acreditava que você se importava com ele”, continuou. O promotor James Nobles resumiu a tragédia dizendo: “Sam não fez nada de errado, além de acreditar no amor”. Do lado de fora do tribunal, Kayla afirmou duvidar da sinceridade dos pedidos de desculpas apresentados pelas condenadas e revelou ter precisado conter o desejo de vingança. “Foi difícil estar ao lado do diabo e não me transformar em um demônio”, declarou.










